Teólogo Leonardo Boff lança Carta à Humanidade com Manifesto pela Vida

Leonardo Boff. Foto: Reprodução/Guilherme Santos/Sul21.

Teólogo Brasileiro publicou Carta com Manifesto neste domingo (07) lamentando o abandono do povo em meio à Pandemia.

Leia abaixo o texto na íntegra retirado do blog do teólogo.

Este texto, elaborado por várias mãos e cabeças, é fruto do desamparo. A pandemia está matando nosso povo. Não sabemos a quem recorrer, pois aqueles que poderiam fazer algo não o fazem, por misteriosos desígnios que suspeitamos quais sejam. A dizimação do nosso povo equivale a 6 guerras do Paraguai, na qual morreram 50 mil soldados brasileiros. Não podemos assistir sem indignação e sem fazer nada face à essa guerra interna, cujo inimigo está dentro de nosso país e ocupando o mais alto cargo da nação. Mas existe a humanidade que ainda tem “humanidade”em nome da qual recorremos. Nosso temor reside em que o instinto de morte de nosso presidente queira a partir do Brasil afetar toda a humanidade e mais diretamente nossos vizinhos com o vírus amazônico altamente perigoso. Já invadiu todo o país e chegou já aos USA. Trata-se de salvar vidas e a própria humanidade sob risco de não conseguir se regenerar. totalmente. É a razão ética e humanitária que nos moveu a publicar esta manifesto, traducido em várias linguas. Pedimos que o subscrevam para criar as condições políticas para encontrar alguém que preza a vida, não exalta a violência nem é indiferente face à morte de milhares de nossos compatriotas. Não há mais lenços para exugar tantas lágrimas, nem mais a possiblidade de um último adeus.Repetindo um bispo franciscano escocês do século XIII contra a demasiada extorção dos impostos: não aceitamos, nos recusamos e nos rebelamos contra essa situação inimiga da vida. (Lboff)

Acesse e assine o Manifesto pelo link a seguir:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeAUTbllrhdBSuBMceaIxrzcSHff70-5uLxVM7LCIhlXWV9ig/viewform

Fonte: Site do Leonardo Boff

[IRRESPONSABILIDADE] Governo Federal negou 3 vezes ofertas da Pfizer e perdeu 3 milhões de vacina

Segundo jornal Folha de S. Paulo, farmacêutica fez a primeira proposta ao Brasil no dia 14 de agosto de 2020.

Vacina contra Covid-19 da Pfizer. Foto: Reuters/Folhapress.

Governo recusou três propostas da farmacêutica alemã Pfizer. A primeira delas em 14 de agosto de 2020. As informações são da Folha de S. Paulo.

Cerca de 3 milhões de doses da vacina foram deixadas de lado e seriam entregues 500 mil doses ao Governo ainda no mês de dezembro de 2020, com um total de 70 milhões até junho do presente ano. Pfizer ainda aumentou a proposta, oferecendo 1,5 milhão de doses em dezembro e mais 1,5 em fevereiro de 2021, Governo mesmo assim rejeitou.

O período de dezembro, foi justamente o mesmo em que países como os EUA e o Reino Unido começaram suas campanhas de imunização. Outra proposta ainda foi feita posteriormente pelo Instituto.

Bolsonaro e Pazuello em uma das lives semanais. Foto: Agência Brasil.

O Ministério da Saúde só anunciou o contrato com o instituto, em 07 de janeiro, pouco antes da Pfizer entrar com pedido de uso emergencial do imunizante na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Redação Gabinete Paraíba com informações da Folha de S. Paulo

[MÊS DA MULHER] Prefeitura de Queimadas realiza Sarau Poético em alusão ao 08 de Março

Sarau Poético reúne mulheres artistas de toda região e será transmitido no YouTube.

Card de divulgação do Sarau. Foto: Prefeitura de Queimadas.

Nesta segunda-feira, 08 de março, é comemorado o Dia Internacional da Mulher, uma data em que são relembradas as lutas e as conquistas sociais, políticas e culturais das mulheres em todo o mundo.

Para celebrar esta data tão importante, a Prefeitura Municipal de Queimadas lançará, às 10h, em seu canal do Youtube, o “Sarau Literário Virtual – Mulher livre e de valor busca igualdade sim sinhô!”

O evento contará com apresentações musicais e literárias de mulheres queimadenses que se destacam no cenário artístico local e também mulheres da região que se empenham na promoção do empoderamento feminino.

O Sarau será transmitido pelo canal da Prefeitura de Queimadas no Youtube: @queimadaspmq.

A ação é desenvolvida pelas Secretarias de Desenvolvimento Social e de Cultura do Município.

Redação Gabinete Paraíba

O que é ‘sextech’ (o sexo que praticaremos no futuro)?

Robôs idênticos a seu ídolo favorito, ou a seu ex-amor, e aparelhos que fazem você sentir as carícias de uma forma cem por cento remota. A linha entre o sexo real e o virtual está condenada a desaparecer.

Homem e robô. Foto: Reprodução.

Em 2045, um em cada cinco jovens fará sexo com um robô de forma habitual, dizem estudos. Cientistas como o dr. Ian Pearson vão ainda mais longe e garantem que, a essa altura, serão mais frequentes as relações sexuais entre humano e androide (ou ginoide, quando têm a aparência de mulher) do que entre pessoas. O sexo de amanhã será cada vez mais tecnológico, mas não só porque se popularizarão os bonecos com formato humanoide equipados com Inteligência Artificial e sistemas operacionais sofisticados. Teremos também a possibilidade de acariciar nosso par mesmo que esteja a centenas de quilômetros de distância, imprimir em 3D uma réplica exata dos órgãos genitais de outro ser humano e depois coordenar seus movimentos com um aplicativo móvel ou utilizar tecnologia que nos faz sentir em nosso próprio corpo o orgasmo de várias pessoas simultaneamente.


O sextech, a união entre tecnologia e sexo, nos permitirá em apenas uma ou duas décadas explorar universos íntimos ainda difíceis de imaginar. Se a década de 70 do século XX trouxe uma nova sexualidade e desafiou tabus arraigados, estamos no alvorecer de uma revolução muito maior: uma que se impregnará em nossos lençóis, e mais uma vez com a tecnologia no comando.

Espera-se que daqui a 20 anos esse mercado seja três vezes maior do que é hoje e possa se multiplicar por sete até 2050. “Estamos prestes a testemunhar o crescimento dos digisexuais: pessoas que fazem sexo quase exclusivamente com máquinas”, segundo Neil McArthur, professor universitário canadense com livros dedicados ao assunto.

Nesse contexto, é provável que sintamos emoções opostas ao visualizar a ardente cena erótica entre Theodor (Joaquin Phoenix) e a robô Samantha do filme Ela: uma obra que nos mostra, com grandes doses de emoção, a relação amorosa entre uma pessoa e um sistema operacional. Com uma linguagem muito íntima e sensual, Theodor e Samantha se dizem coisas como: “Quero tocar seu rosto, os seios, a ponta dos seus dedos”, “Você vai me beijar?”, ou “Posso te saborear?”. Às vezes, achamos difícil esquecer que Samantha não tem sentimentos: ela é apenas uma máquina muito avançada. Não foi o único filme que retratou com eloquência o cenário mais provável de relacionamentos futuros entre pessoas e tecnologia. Ex Machina: Instinto Artificial (2015), Boneca Inflável (2009) ou algum capítulo da série Black Mirror são outros exemplos.

Embora pareça apenas ficção científica, já existem no mercado recriações que seguem esse caminho. Assistimos ao nascimento de robôs concebidos para práticas sexuais, como o Harmony, a primeira máquina erótica com Inteligência Artificial, apresentada em 2018 pela empresa Real Doll. É uma boneca em tamanho real que custa cerca de 14.000 dólares (73.000 reais), capaz de falar, de memorizar as preferências de seu parceiro ou parceira e de realizar práticas sexuais como sexo a três ou surras com chicote, se for disso que gostamos. A mesma empresa lançou recentemente Henry, sua versão em androide. Outros exemplos são Emma, da empresa chinesa AI-AI, ou a completa boneca Samantha, nascida de uma mente espanhola: a do especialista em nanotecnologia Sergi Santos, que confessou ter criado esta invenção porque sua mulher não satisfazia seus desejos sexuais. Samantha também tem a peculiaridade de interromper suas funções se a outra parte se comporta de forma abusiva com ela. Embora esse tipo de invenção tenha muitos detratores e não poucas vozes opositoras, em muitos países não há uma legislação clara que permita sua proibição ou que estabeleça limites para esses produtos.

O relatório Futuro of Sex, produzido por vários especialistas da área, afirma que poder fazer sexo com um ex será uma realidade que não demorará muito a chegar às nossas vidas. Também será possível recriar pessoas do nosso entorno, como nosso próprio ex-marido ou mulher. E não só escolher o físico do nosso sexbot (robô sexual), mas também personalizar aspectos como seu grau de timidez, simpatia ou apetite sexual. Uma vez customizado, será possível manter conversas com ele, empreender atividades conjuntas como qualquer outro casal faria e, claro, realizar diferentes práticas sexuais.

Geralmente são feitos de silicone, mas a ciência explora diferentes materiais que são cada vez mais semelhantes ao toque da pele humana. As bonecas projetadas por Santos são feitas com elastômero termoplástico: um componente que dá a sensação de se tocar uma mulher real. Esses produtos possuem sensores térmicos capazes de reagir ao toque, enquanto a Inteligência Artificial cuida de lembrar das preferências sexuais do usuário e se adaptar a elas.

No Japão, por exemplo, é cada vez maior o número de pessoas com parceiros virtuais, o que nos faz lembrar de Akihiko Kondo, que ficou famoso em todo o mundo por ter se casado com um holograma. Existe uma relação entre o avanço dessa tecnologia e o perigo de perder a conexão natural com outras pessoas? Coincidência ou não, o Japão é um dos países que estão na vanguarda da digitalização sexual e costuma lotar a capacidade de seus eventos pornográficos virtuais, mas é também uma das nações onde a idade da primeira relação sexual é mais tardia: quase dois em cada quatro japoneses de 30 anos ainda são virgens.

‘Sex toys’ inteligentes

Os robôs não são os únicos brinquedos sexuais inteligentes que transformarão a vida sexual num futuro próximo. Em 2035, na maioria dos quartos dos países desenvolvidos haverá brinquedos sexuais, geralmente para serem usados em ambientes de realidade virtual.

Mulheres robôs. Foto: Reprodução.

O cientista Ian Pearson, um dos futurologistas líderes neste campo, distingue três tecnologias importantes que irão ter impacto no segmento: Inteligência Artificial, robótica e tecnologia active skin. Esta última “fará com que dispositivos microscópicos sejam inseridos na pele humana, muito perto dos vasos sanguíneos e dos nervos, o que permitirá a uma Inteligência Artificial externa receber informações sobre as respostas sexuais da pessoa, podendo registrar e reproduzir sensações”, conta este especialista ao EL PAÍS.

No caso dos robôs ou androides, “eles podem usar essa tecnologia para estimular diretamente o sistema nervoso, ajustar suas atividades às técnicas ou fantasias de que a pessoa mais gosta, com informações baseadas em uma reação muito precisa em tempo real, que será muito mais eficaz do que a intuição que as pessoas agora usam para tentar perceber o que agrada ao parceiro durante a relação sexual”, acrescenta. O especialista está convencido de que “depois de algumas sessões em que a máquina tiver aprendido e criado uma biblioteca de sensações sobre o usuário, fazer sexo com um robô equipado com Inteligência Artificial será muito mais gratificante do que com qualquer ser humano”.

Em contraposição a essa afirmação, a sexóloga e psicóloga Laura Morán diz por que considera que essas invenções não serão capazes de substituir os humanos no médio prazo: “É improvável que um robô saiba atender às demandas eróticas e afetivas tão próprias das pessoas”.

Adeus às barreiras físicas

Um dos campos em que haverá maior progresso é o do sexo remoto. Pessoas que mantêm relacionamentos a distância hoje têm muito mais facilidade para esse envolvimento do que os casais de uma ou duas décadas atrás. Agora podemos ver e ouvir a outra pessoa em tempo real, até mesmo fazer sexo graças aos produtos da teledildônica, como vibradores inteligentes interativos ou masturbadores masculinos que permitem sincronizar sobre o pênis os movimentos exatos de um vídeo. Também existem almofadas aptas a reproduzir os batimentos cardíacos do parceiro ou aparelhos como o Le Kissenger, capaz de aproximar dos nossos lábios, através de sensores de força, o beijo do nosso amado ou amada, mesmo que esteja do outro lado do mundo.

No entanto, em breve, moldar-nos a isso será algo quase antiquado: já estão em desenvolvimento aparelhos sexuais tão avançados que nos farão sentir as carícias de nosso parceiro de forma cem por cento remota e impressoras que nos permitirão reproduzir, de nossa casa, suas partes íntimas em 3D para senti-las conosco o tempo todo. E ainda haverá os trajes hápticos que nos farão sentir todos os tipos de impulsos eróticos em qualquer zona erógena do corpo. O sexting também dará uma guinada de 360 graus: os aplicativos e redes sociais não servirão apenas para compartilhar conteúdo ou conhecer pessoas, mas também será possível manter 100% da relação sexual dentro do próprio software. Isso será feito porque os aparelhos não só vão transmitir imagens e sons como agora, mas também reproduzirão no cérebro a ilusão de compartilhar aromas e carícias, variações de temperatura ou diferentes níveis de força, contando com a contribuição de disciplinas como a neurociência.

As inovações no campo da realidade virtual permitirão recriar cenários eróticos interativos, participar de jogos sexuais online com vários participantes ou criar avatares sexuais. Será possível fazer sexo totalmente à la carte: escolher o local onde queremos que o encontro aconteça, as características físicas, a voz, as roupas, até mesmo a personalidade ou posições sexuais que queremos que nossos parceiros adotem. Prevê-se que os hologramas melhorem drasticamente nos próximos anos. Em outras palavras, a linha entre sexo real e virtual está condenada a desaparecer.

“Faltam apenas alguns anos para que se possa pagar a uma estrela pornô ou outra pessoa para que nos ofereça uma sessão de sexo oral virtual que, graças a um dispositivo especialmente projetado para esse fim, proporcione a mesma sensação física que se teria se o ato estivesse sendo praticado na realidade “, diz a terapeuta sexual Bryony Cole.

Inteligência Artificial para o prazer sob medida

O sexo do futuro, segundo o mesmo relatório, passará por tecnologias que meçam com precisão nosso grau de satisfação, descobrindo padrões em nosso desejo sexual. Uma combinação de Inteligência Artificial e tecnologia sexual poderia ter a capacidade de melhorar muito a qualidade de nossos orgasmos. A estimulação mecânica poderia nos dar maior controle sobre o prazer do que a humana. Será possível pré-configurar facilmente cada clímax: determinar o tempo que queremos dedicar ao prazer, a intensidade, até cruzar esses dados com os do nosso parceiro ou parceiros para ter como resultado um encontro sexual muito mais agradável.

“O futuro do setor de sextech está ligado à Inteligência Artificial, mas também ao Big Data”, explica Patricia López, especialista em bem-estar sexual masculino e CEO da Myhixel. “As duas tecnologias serão utilizadas para prever comportamentos, gostos e padrões, e não só para obter mais prazer, mas para nos garantir práticas sexuais mais saudáveis e de mais qualidade, por meio de dispositivos como acelerômetros, que já estamos desenvolvendo”. Em outras palavras, a tecnologia no futuro nos ajudará a controlar problemas como a ejaculação precoce, a aprender mais sobre nosso corpo e a obter clímax personalizados.

A realidade aumentada e o entretenimento imersivo também contribuirão para mudar as relações sexuais. Cenários virtuais em que cada parte pode escolher a temperatura, o aroma do ambiente, a música que o ajuda a se conectar e uma série de fatores sob medida para ter como resultado uma experiência sexual à la carte e altamente criativa. Embora já existam vaginas e pênis criados em laboratórios e wearables capazes de medir a velocidade e o número de repetições durante a relação sexual, a força do impulso e algumas métricas relacionadas à satisfação, teremos, em não mais de duas décadas, aparelhos que fazem medições muito mais confiáveis e que poderão desafiar os limites atuais de prazer.

“O sexo do futuro será altamente gamificado e isso nos posiciona diante do risco de criar cada vez mais padrões em torno de como deve ser a satisfação íntima e nos perguntarmos até que ponto a tecnologia pode desumanizar a sexualidade”, diz Laura Morán.

O relatório Future of Sex também prevê a evolução de um tipo de software que, com a ajuda de aparelhos auditivos neurais, será capaz de nos equiparar a pessoas com padrões cerebrais semelhantes. Desta forma, a tecnologia ficará encarregada de localizar uma espécie de “parceiro sexual ideal”, como garantia de relações íntimas de qualidade (já existem projetos biotecnológicos que propõem algo semelhante, como o uBiome). Fala-se até de uma camada especializada da Internet das Coisas: a Sexnet of Things, em que tudo estará conectado, inclusive a nossa forma de fazer amor.

O que parece fora de questão é que o negócio do sextech ganhará em volume e popularidade, e cada vez mais pessoas estão dispostas a fazer a tecnologia entrar em seu quarto como um a mais. No final das contas, argumentam os defensores, esse tipo de encontro evita a gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis, aumenta a segurança pessoal e permite relacionamentos sem a necessidade de contato físico (ideal em tempos de pandemia). Também se destina a fins terapêuticos e é uma ótima solução para pessoas isoladas por motivos diversos ou que decidem não ter um par.

Mas essa mudança na forma de se relacionar também traz consigo novos debates éticos, morais e jurídicos, que nos levam a nos perguntar onde estão os limites da intimidade e da privacidade das pessoas, bem como conter perigos como um possível aumento do vício em sexo ou a diminuição da conexão emocional com outras pessoas. Zoltan Istvan, um transumanista que foi candidato à sucessão de Donald Trump na Casa Branca, já alertou: “Se os cientistas conseguirem reproduzir no cérebro orgasmos e carícias em pontos erógenos, usando apenas capacetes ou chips, poderíamos estar diante do princípio do fim do sexo como o conhecemos hoje”.

O sexo de amanhã realmente mudará tanto? Devemos ficar alarmados quando constatamos que os millennials, a geração digital, também são os que fazem menos sexo com outras pessoas do que seus antecessores? Se há uma coisa em que todos os especialistas concordam, porém, é o seguinte: a civilização pós-Satisfyer não conceberá o sexo sem ter as máquinas presentes, de uma forma ou de outra.

Fonte: El País

“A política é o meu DNA, só quando eu morrer é que vou parar de fazer isso”, diz Lula ao EL PAÍS.

Depois de superar o coronavírus, o câncer e a prisão, ele afirma que, se vencesse a batalha judicial contra a desqualificação, estaria disposto a comparecer às eleições presidenciais de 2022 e enfrentar o Bolsonaro.

Lula em um dos momentos da Entrevista. Foto: El País.

Lula da Silva é energia em sua forma mais pura. Ele tem 75 anos, superou o câncer, o coronavírus e a prisão e diz que se sente “na casa dos trinta”. Ele chega à entrevista telemática em mangas de camisa e fica em frente ao Zoom. Ele parece confortável; É sexta-feira e ele responde de sua casa em São Bernardo do Campo, cidade próxima a São Paulo, onde mora com Rosangela Silva, socióloga por quem se apaixonou na prisão. Atrás dele estão alguns livros de capa mole e uma bandeira vermelha de mesa que exibe a sigla do Partido dos Trabalhadores Brasileiros (PT) e que, devido a uma estranha corrente de ar, parece mover-se, como em um comício, em uníssono. com Lula quando ele entra em efervescência. Algo que acontece com frequência.

É um fenômeno ascendente . Lula primeiro se livra dos óculos (quadrados e ostensivamente grandes), depois aumenta a velocidade de resposta e com o passar dos minutos solta o tigre político que vive nele. Fale, ria e rugir; acene seus braços, bata na mesa. Lula, e esta é uma das chaves de sua extraordinária capacidade de arrasto, passa sem solução de continuidade pelos tantos Lulas que já foi. A lo largo de hora y media de conversación, se suceden, tras una pantalla que le queda cada vez más pequeña, el hombre que un día fue pobre y que sabe dirigirse a otros pobres, el tornero simpático, el sindicalista que se enfrentó a la ditadura militar,o candidato dos grandes comícios e até o presidente (2003-2011) que deu ao Brasil anos de grandeza, mas também o prisioneiro que se revolta contra sua sentença, o político deficiente que busca limpar seu nome. Lula cumpriu 580 dias de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. E ele tem outra sentença para crimes semelhantes. Essa laje o esmaga e ele agora direciona todas as suas energias contra ela.

“Aprendi com uma mãe analfabeta que não podemos viver ressentidos, que devemos ser firmes e acreditar que a vida pode melhorar. Estou muito otimista “, diz ele em um dos poucos momentos em que ficou parado (e a bandeira com ele). É apenas um instante. Depois seguirá atirando de um lado para o outro, apertando o acelerador de um motor que nunca acaba e que o levou a se estabelecer como uma lenda, amada e odiada, da esquerda latino-americana .


Pergunta. Como alguém tão inquieto quanto você lida com o confinamento?

Resposta. Eu me sinto mal por ficar em casa. Não estou satisfeito em definhar. Você está se matando por dentro. Embora esteja apaixonada e apaixonada, preciso sair, respirar liberdade, conversar com as pessoas. Quando estou sem fôlego, não é por causa do coronavírus, é pela necessidade de conversar com as pessoas, de aprender com elas. Nasci na porta de uma fábrica … Mas por enquanto vou me cuidar e respeitar a ciência. Quando eu for vacinado e autorizado, vou sair.

P . O Brasil, ao contrário de outros países da região, vive o pior momento da pandemia. As mortes dispararam e a vacinação é lenta. O que está acontecendo?

R. A Democracia no Brasil sofreu um acidente por causa do Bolsonaro. O presidente não se preocupa com o cobiçoso ou com a economia, a educação ou as relações internacionais. Paramos de comprar vacinas quando podíamos [comprá-las] e paramos de vacinar quando deveríamos [inoculá-las]. Agora mesmo, o Bolsonaro continua fazendo campanha contra a vacina e contra o isolamento. É quase um genocídio. O Brasil não merece isso.

P. Como você explica que o Bolsonaro continua com 30% de apoio popular?

R. Bolsonaro conseguiu reunir aquela parte da sociedade que é ultraconservadora, que defende a pena de morte e que as pessoas vão armadas para o local de trabalho, quem rejeita o negro, os direitos da mulher, o LGTBI, os sindicatos … Mas são 70 % que discordam. E são esses 70% que vão garantir a democracia. Quando chegar a hora, eles se pronunciarão.

P. Mas, no momento, você não vê uma oposição forte. Os resultados de seu partido, o PT, nas últimas eleições municipais foram ruins. Não está faltando um novo líder?

R. Resta que as próximas eleições sirvam para medir nossa força. Lembro que quando as formações à esquerda do PSOE ganharam a prefeitura [de Madrid], muita gente falava que o PSOE estava acabado. Mas agora é o PSOE que governa a Espanha. O PT continua sendo o maior partido do Brasil, a força política mais organizada. Mas foi vítima de uma grande campanha de destruição, [Operação] Lava Jato . Provada a minha inocência e a culpa do Ministério Público, [ ex- desembargador Sérgio] Moro e da Polícia Federal, mais do que provada. Houve uma conspiração para impedir que Lula voltasse à presidência do Brasil .Muita gente se envolveu em uma mentira, reforçada pela mídia. Agora que se sabe a verdade, como eles vão dizer à sociedade que, durante cinco anos, condenaram um homem inocente?

P. Se você conseguisse vencer a batalha judicial, você concorreria às eleições presidenciais?

R. Não tenho necessariamente que ser candidato a presidente, porque já fui. Mas estou com ótima saúde e Joe Biden é mais velho do que eu e governa a América. Em 2022, terei apenas 77 anos, uma criança. Se naquele momento os partidos de esquerda entendem que posso representá-los, não tenho problema em fazê-lo. O PT, porém, tem outras opções, como Fernando Haddad [candidato em 2018], e alguns governadores. A única possibilidade de ser eu, porque não vou disputar com ninguém, é que as pessoas entendam que sou o melhor candidato. Do contrário, ficarei contente em sair às ruas para fazer campanha por um aliado nosso.

P. Falando dos Estados Unidos, o último ato de Donald Trump foi encorajar um ataque ao Capitólio. Algo semelhante poderia acontecer no Brasil se o Bolsonaro perder as eleições?

R. Bolsonaro vai perder as eleições, e a vitória será para alguém progressista, espero que seja o PT. Mas o presidente agora está facilitando a venda de armas, e quem as compra não são os trabalhadores. Para quem o Bolsonaro está vendendo armas? À elite agrícola, aos ex-policiais, à gangue que matou Marielle [Franco, vereador do Rio de Janeiro] … Se o PT ganhar as eleições de novo, vamos desarmar o povo e resgatar o humanismo. Só há um remédio para este país: fortalecer a democracia. Estou absolutamente certo de que podemos ganhar as eleições novamente. O que parece impossível hoje será possível amanhã. Este país é poderoso. Eu não quero que a sociedade vote em um Trumpou um troglodita como Bolsonaro nunca mais. As pessoas têm que votar em homens que pensam bem.

P. Ou mulheres, certo, presidente?

R. Se tem uma pessoa que apostou na mulher, sou eu. No PT tivemos um presidente e 50% do meu partido são mulheres.

P. Como o Lula que chegou ao poder em 2003 é diferente do Lula hoje? O que a prisão te ensinou?

R. O Lula de hoje não é diferente do Lula de 2003. Tenho mais experiência, estou um pouco mais velho, mas ainda tenho o mesmo desejo e a mesma certeza de que é possível mudar o Brasil. Sonhei que era possível construir um bloco econômico forte na América do Sul. Hoje, já não é possível negociar com a União Europeia. Vamos ser honestos, [minha época] foi o melhor momento da América Latina desde Colón. E agora a região deve se convencer de que não pode continuar a ser a parte do mundo com mais desemprego, mais miséria e mais violência. O Brasil tem que recuperar destaque internacional e é isso que os americanos não querem. Eles não querem competição. Por exemplo, não é aceitável que Trump ameace invadir a Venezuela e que os países europeus reconheçam Juan Guaidó como presidente.Como você pode reconhecer um impostor, que não apareceu nas eleições? A Europa desapareceu da política. Tudo são comissões. Comissões para isso, para aquilo … todos os burocratas. A política deve reassumir seu papel, tomar grandes decisões.

P. Mas o que mudou pessoalmente com sua prisão?

A. Se eu dissesse que não guardo rancor de algumas pessoas, estaria mentindo. Mas nunca em minha vida fui levado por meus rancores. Quando sentimos ódio, dormimos mal, digerimos mal. Como sempre tive consciência do que estava acontecendo comigo, nunca duvidei. Durante minha prisão, foram feitas tentativas para me fazer sair com uma tornozeleira eletrônica. E o que eu disse a eles? Que não troquei minha dignidade pela minha liberdade. Ele estava ciente das mentiras de Moro. Agora é a vez de o Supremo Tribunal votar e decidir [a defesa de Lula pede a suspensão de Moro, o que anularia seus julgamentos]. Pela primeira vez, eles enfrentam um político que não tem medo deles porque é inocente. E no dia que o STF tomar essa decisão, eles vão ter que dizer que os outros mentiram, que a Globoele mentiu, que toda a imprensa mentiu. Será o momento do perdão. Imagino o dia em que o principal noticiário dissesse: “Boa noite, hoje queremos pedir desculpas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva porque acreditamos na mentira de Dallagnol e Moro”.

P. Isso é uma utopia, certo, presidente?

R. Você acredita que isso é impossível, mas eu acredito que vai acontecer. Não sei se estarei vivo, mas, mesmo que esteja no meu túmulo, vou acordar por alguns segundos de alegria porque, finalmente, a verdade terá vindo à tona.

P. Você não vai deixar a política antes?

A. Não, acho que não. A política está no meu DNA, é uma parte do meu corpo. Quando essa célula deixar de cumprir sua função e eu morrer, vou parar de fazer política. Fora da política, não há saída para a humanidade, para a democracia, para o crescimento econômico e a distribuição da riqueza. Tudo depende da política.

Fonte: El País

Senador Veneziano é conduzido a liderança do MDB na Paraíba

O Senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) será o novo presidente do MDB da Paraíba. A decisão foi tomada de forma participativa e consensualizada pelas principais lideranças que integram o partido no Estado, a exemplo do ex-Governador Roberto Paulino, do Deputado Estadual Raniery Paulino, dos dez Prefeitos filiados à legenda e demais membros.

Em documento enviado à Executiva Nacional, o MDB-PB lamentou, inicialmente, as circunstâncias que levaram a legenda a fazer o comunicado das mudanças, ocorridas em virtude do falecimento “do nosso grande líder e Presidente Estadual do Partido, Senador e ex-Governador José Targino Maranhão, que atravessou e construiu a história desse Estado tendo como único norte o bem do nosso povo, deixando um legado inigualável de serviços prestados”.

O documento fala que o momento é de reorganização da legenda e que, após diversos diálogos objetivando o compartilhamento democrático das decisões e dos espaços partidários, o ex-Governador Roberto Paulino assume temporariamente a presidência como substituto imediato, até o dia 08 de abril deste ano.

Diante desta realidade e em conformidade com o deliberado pela Executiva Nacional, respeitando a presença de todos e o fortalecimento da legenda, que passou a ter dois senadores na Paraíba, com o retorno do Senador Veneziano Vital do Rêgo ao partido e a assunção da titularidade do mandato pela Senadora Nilda Gondim, emedebista histórica além do reconhecimento da liderança do ex-Governador Roberto Paulino e do Deputado Estadual Raniery Paulino, atual Presidente da Fundação Ulysses Guimarães na Paraíba “com vistoso trabalho” e preservando o legado do Presidente José Targino Maranhão, o MDB-PB decidiu a composição de sua Comissão Provisória, com vigência a partir de 09 de abril de 2021, de forma participativa e consensualizada, com a participação direta ou indireta de todos os líderes que compõem a legenda no Estado.

Veja como ficou a composição:

Presidente: Veneziano Vital do Rêgo
Vice-Presidente: Antônio Roberto de Sousa Paulino
Tesoureiro: José Luís de Sousa
Membro: Ozanilda Gondim Vital do Rêgo
Membro: Roberto Raniery de Aquino Paulino
Membro: Maria Alice Bezerra Cavancanti Maranhão Santana
Membro: Marcos Eron Nogueira
Membro: Benjamin Gomes Maranhão Neto
Membro: Ives Rocha Leitão

A composição evidencia uma representativa participação na Comissão Provisória, após entendimento de todos os emedebistas, com representante dos dez prefeitos da legenda (Marcos Heron, prefeito de Monte Horebe), representante dos vereadores do partido no Estado (vereador Mikika Leitão, de João Pessoa), com a presença do ex-Deputado Federal Benjamin Maranhão, com três mandatos na Câmara Federal, com a presença da filha do ex-Senador José Maranhão (Maria Alice Bezerra Cavancanti Maranhão Santana), numa demonstração de respeito e do desejo que o MDB tem de que o legado de José Maranhão seja continuado no partido, além da participação do ex-Governador Roberto Paulino, do Deputado Estadual Raniery Paulino e de outros segmentos importantes do MDB-PB.

O documento, assinado pelo Vice-Presidente Roberto Paulino e pelo Senador Veneziano Vital do Rêgo, foi enviado pelo MDB-PB à Executiva Nacional do Partido, que deverá se posicionar em breve sobre as deliberações locais.

Assessoria de Imprensa
MDB – Paraíba

(Pai) Afasta de nós este Cale-se que nos resta… Por Wéverton Correia

Charge do Latuff (2019).
Foto: Reprodução/Brasil 247/Latuff.

Tenho refletido bastante sobre os últimos dias em terras brasilis e ao mesmo tempo, tenho me deparado com determinadas coisas que me deixam, de certo modo, aturdido.

Nesta última semana, senti-me, definitivamente, adoecido. Ao mesmo tempo, emudecido, por algumas circunstâncias. Observei-me preso e não foi por causa do novo coronavírus nem mesmo pela força de um lockdown.

É que de tanto calar, mudos, temos adoecido, em meio a esta conjuntura tão tempestuosa que vivemos no mundo e de modo mais agravado, em nosso país.

Estamos por todos os lados presos, estáticos. A focinheira da censura, do medo e da ignorância alheia tem nos calado e isto é estarrecedor.

Ao receber uma mensagem, de uma professora amiga, mostrando a censura aos professores da Universidade Federal de Pelotas, imposta pela CGU, por suposta “manifestação desrespeitosa e de desapreço direcionada ao [inominável]”, confesso que fiquei doente. Um pouco antes havia passado, junto a outros colegas, por uma advertência que muito nos deixou tristes, pensativos e preocupados.

Desde o início de 2019 e mais fortemente no ano de 2020, temos visto uma demonização da imprensa e uma maneira autoritária de silenciar os profissionais do jornalismo. Ano passado, vimos a jornalista Rachel Sheherazade ser perseguida por suas declarações, no SBT Brasil, direcionadas ao Governo Federal. O resultado foi a sua demissão. Em janeiro do corrente ano, a também jornalista Adriana Araújo, que era uma das âncoras de um dos programas da TV Record, por fazer críticas ao governo, em suas redes sociais, pela falta de transparência com a pandemia, também foi demitida pela emissora.

Mas o problema não é restrito aos profissionais da educação e da imprensa e meios de comunicação. Dentro de nossas casas, trabalho ou no meio de nosso círculo de amizades, temos sido calados, pelo medo de magoar àqueles que ainda nutrem esperança e um certa paixão desmedida (que beira à uma devoção religiosa) pelo mandatário da nação.

Não bastando todas essas coisas, temos a pandemia e um vírus letal por aí, que nos obriga a andar mascarados e que tem nos tirado o direito e a coragem de ir às ruas, protestar, como têm feito os cidadãos paraguaios, pelo caos na saúde pública, que coincidentemente, também passa o país vizinho.

Hoje (07), primeiro domingo de março, seria dia de Comunhão e alegria, em diversas igrejas cristãs. Nas igrejas cristãs de confissão protestante e reformada (de uma das quais eu pertenço), seria o dia de partilhar da Ceia do Senhor, tomando junto aos demais fiéis, do pão e do cálice, que são o memorial do corpo e do sangue de Cristo, sacrificado na cruz e de sua ressurreição. Contudo, com a triste realidade da pandemia e as restrições impostas pelas autoridades em saúde pública, temos de ficar isolados em casa.

O “Cale-se” é, portanto, a única comunhão da qual temos partilhado e que nos é reservada neste momento, na companhia de senhores nem um pouco bondosos, que diferentes do Cristo, não se entregam pelo mundo, mas ao contrário, sorriem e desdenham de suas dores e dos que morrem por essa doença terrível. E diferente dos meios de graça que nos propicia a Santa Comunhão, eles nos propiciam a doença de sua maldade que nos corrói.

Como cantou Chico Buarque nos tempos sombrios – mas nem tão diferentes dos atuais – da ditadura, eu repito: “Pai (Pai), afasta de mim esse cálice (Pai), afasta de mim esse cálice (Pai), afasta de mim esse cálice, de vinho tinto de sangue. Como é difícil acordar calado, se na calada da noite eu me dano. Quero lançar um grito desumano, que é uma maneira de ser escutado…”

Afasta de nós esse Cale-se ou nos dê coragem para fazê-lo!

Por Wéverton Correia