Secretário da Participação Popular Thiago Diniz comemora primeiros três meses na SEPP-JP

Gestor promove reunião com conselheiros municipais e com a presença do Prefeito e Vice da capital

Thiago Diniz, Cícero Lucena e Léo Bezerra. Foto: Reprodução/Ascom.

Nesta quarta-feira (24) o Prefeito Cícero Lucena (Progressistas), o Vice-Prefeito Léo Bezerra (Cidadania) e o Secretário Executivo da Participação Popular, Thiago Diniz (Cidadania), participaram de reunião por videoconferência com os conselheiros de 71 bairros e 146 comunidades da capital.

O Prefeito Cícero avaliou de maneira positiva o encontro e afirmou que na reunião pôde apresentar algumas das ações que vêm sendo desenvolvidas em sua gestão nestes primeiros meses.

“Neste encontro virtual promovido pela Secretaria de Participação Popular, pude ouvir as principais demandas dos moradores em áreas como infraestrutura, saúde, educação, dentre outras. Apresentei algumas das nossas ações nessas áreas, e detalhei que o nosso trabalho prioritário atualmente, é o combate à COVID-19. Agradeço a todos a participação e peço a ajuda de cada um na conscientização das pessoas sobre os cuidados que devemos ter para impedir o aumento dos casos dessa doença tão devastadora.”, destacou o Prefeito.

Prefeito Cícero Lucena. Foto: Reprodução/Ascom.

O Secretário Thiago Diniz agradeceu à sua equipe e ressaltou que o momento foi muito importante para a democracia participativa na cidade de João Pessoa. Esta foi a 3º reunião do ano, realizada pela Secretaria, com os conselheiros municipais das 14 regiões da cidade e com a presença do Prefeito e do Vice.

“Um diálogo remoto, direto e transparente com aqueles que representam os anseios dos bairros e comunidades de João Pessoa. Agradeço a nossa equipe da Secretaria Executiva da Participação Popular (SEPP) que se empenhou de forma eficiente para que este encontro pudesse acontecer.”, declarou Diniz.

Secretário Thiago Diniz.
Foto: Reprodução/Ascom.

Thiago Diniz também comemorou os três meses de trabalho à frente da Secretaria de Participação Popular e destacou as ações e demandas já resolvidas em sua gestão

“Em 3 meses de gestão, conseguimos graças ao esforço coletivo e a atuação de diversas secretarias, resolver 55 demandas de forma ágil e efetiva. Dentre essas resoluções estão serviços de limpeza urbana, desassoreamento de rios, iluminação pública, saúde, pavimentação de ruas, poda de árvores, entre outras. Isso é cuidar da cidade! Viva o diálogo! Viva a participação popular!” , celebrou o gestor.

Redação Gabinete Paraíba

[INÉDITO] Papa Francisco decide cortar salários de cardeais e clérigos da Igreja

A medida tomada pelo Sumo Pontífice é inédita na história da Igreja

Papa Francisco. Foto: Reprodução.

O Papa Francisco decidiu nesta quarta-feira (24) cortar os salários dos Cardeais e Clérigos da Igreja Católica devido ao agravamento da crise econômica no Vaticano como resultado da pandemia de coronavírus.

A informação partiu da própria Santa Sé. A medida do Pontífice é inédita na história do Catolicismo, de acordo com um alto prelado do Vaticano.

A medida foi publicada por meio de uma carta apostólica, chamada Motu Proprio, na qual Francisco anuncia que a partir do dia 1º de abril, o salário dos cardeais será reduzido em 10%, e o dos chefes e secretários de dicastérios (ministérios) em 8%. Clérigos e religiosos terão o pagamento reduzido em 3%.

“Um futuro economicamente sustentável requer hoje, entre outras decisões, a adoção de medidas relativas aos salários dos funcionários”, escreveu o papa argentino no documento.

Redação Gabinete Paraíba com informações do Jornal Estado de S. Paulo

PSOL da Paraíba apresenta representação criminal contra Deputado Cabo Gilberto Silva

Partido vem travando dura luta contra o Deputado representante do Bolsonarismo na Paraíba por suas posturas diante da pandemia

Logomarca do PSOL. Foto: Reprodução.

Nesta quarta-feira (24), o Partido Socialismo e Liberdade da Paraíba (PSOL-PB), apresentou representação criminal contra o Deputado Estadual Cabo Gilberto Silva (PSL).

De acordo com a nota emitida pelo partido, o parlamentar tem descumprido as normas sanitárias determinadas pelos decretos do Governo da Paraíba e da Prefeitura Municipal de João Pessoa. Além disso, a nota também argumenta que o deputado tem violado o Código Penal Brasileiro, infringindo as normas de saúde, colocando em risco a saúde pública do povo paraibano.

O PSOL diz esperar que a justiça seja feita, de maneira pedagógica, de modo que o parlamentar bolsonarista seja impedido de realizar aglomerações atentatórias à saúde da população e que o mesmo responda criminalmente pelos ilícitos que vem cometendo.

Veja a nota na íntegra

PSOL DA PARAÍBA APRESENTA REPRESENTAÇÃO CRIMINAL CONTRA DEPUTADO ESTADUAL NEGACIONISTA CABO GILBERTO SILVA


O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), através do seu Diretório Estadual na Paraíba e dos Diretórios Municipais de João Pessoa e Campina Grande, acaba de protocolar Representação Criminal / Notícia de Crime contra o Deputado Estadual Cabo Gilberto Silva.

Tárcio Teixeira, afirma que “o PSOL não poderia ficar calado diante das reiteradas vezes que o Cabo vem promovendo aglomerações negacionistas e incentivando o não uso de máscaras protetoras, em desrespeito flagrante às normas sanitárias vigentes”.

O Deputado Cabo Gilberto tem descumprido as normas sanitárias determinadas através dos Decretos do Governo do Estado, como também tem violado o Código Penal Brasileiro, infringindo medidas sanitárias, colocando em perigo a saúde pública do povo paraibano e, por conseguinte, tem igualmente violado o Código de Ética da Assembleia Legislativa da Paraíba.

Na Representação Criminal (n º 0804091-77.2021.8.15.0000), sob relatoria do Desembargador Carlos Martins Beltrão Filho, o PSOL pede que o Ministério Público da Paraíba, através da Procuradoria Geral de Justiça, instaure os procedimentos investigatórios cabíveis contra o Deputado Cabo Gilberto, como também pede que seja notificado o Presidente da Assembleia Legislativa, Deputado Adriano Galdino, para que tome as medidas necessárias no que tange à submissão do Deputado à Comissão de Ética daquela Casa.

No momento em que a COVID-19 já vitimou quase 300.000 (trezentos mil) brasileiros e brasileiros, entre os quais mais de 5.000 (cinco mil) paraibanos e paraibanas. Para Olímpio Rocha, presidente do DMPSOL/CH, “o PSOL espera que a Justiça seja feita, inclusive de forma pedagógica, de maneira que o Deputado seja impedido de realizar aglomerações atentatórias à saúde do nosso povo e que responda criminalmente pelos ilícitos que reiteradamente tem cometido”.

Paraíba, 24 de março de 2021.

Diretório Estadual do PSOL/PB

Diretório Municipal do PSOL/CG

Diretório Municipal do PSOL/JP

Confira a Representação Criminal contra o Parlamentar

Redação Gabinete Paraíba

Romero Rodrigues e mais três são denunciados na Operação Calvário

O ex-Prefeito de Campina Grande e Presidente Estadual do PSD, Romero Rodrigues, foi denunciado pelo Ministério Público em mais uma ação da Operação Calvário. Além do ex-Prefeito, foram também denunciados o advogado Jovino Machado, Saulo Ferreira Fernandes e o empresário da Cruz Vermelha do Brasil e delator Daniel Gomes.

Romero é acusado de receber propina no valor de 150 mil reais, feita no ano de 2012 por Daniel Gomes, o dinheiro teria como destino a campanha do então candidato Romero, em contrapartida, a gestão executaria acordos para gestão de saúde local.

A denuncia partiu da delação premiada feita pelo próprio Daniel Gomes, acusado de ser o operador do esquema de corrupção que é investigado pela justiça.

Segundo a denúncia, “O objeto desta denúncia, em essência, revelou os bastidores da criminosa engenharia criada para a inserção da Cruz Vermelha do Brasil – Filial do Rio Grande do Sul (CVB/RS) para gerir as estruturas de saúde de Campina Grande/PB, a começar pelo ISEA (Instituto de Saúde Elpídio de Almeida) e Hospital Pedro I.”

O ex-Prefeito que é aliado do Presidente Bolsonaro e tem abertamente feito pré-campanha para o Governo do Estado, é um dos maiores expoentes, juntamente com seu grupo político, das ações da Operação Calvário, no intuito de acusar seus adversários de participação no esquema de corrupção, resta agora saber como ele próprio explicará a sua suposta participação, denunciada pelo delator Daniel Gomes.

Redação Gabinete Paraíba com informações do Blog Pleno Poder, do Jornal da Paraíba.

[IMUNIZAÇÃO] Uruguai vacinará população entre 18 e 70 anos a partir do dia 29 contra Covid-19

Vacinação no país vizinho será realizada entre 29 de março e 2 de abril

Menino com a bandeira uruguaia.
Foto: Reprodução.

Depois de assumir o compromisso ousado de disponibilizar doses suficientes para vacinar mais do que o número de habitantes da sua população em poucos meses, o Uruguai anunciou que esgotou, em menos de uma hora, as cotas para vacinação de pessoas de 18 a 70 anos contra a covid-19.


De acordo com o Ministério da Saúde Pública do Uruguai, foram abertas 170 mil vagas para vacinação entre os dias 29 de março e 2 de abril, período conhecido como a Semana do Turismo no país. No total, foram 750 mil inscritos que se registraram por meio de uma plataforma digital que, segundo o Ministério, ainda está recebendo registros e inserindo os inscritos em uma espécie de “fila virtual”.

Apesar da abertura excepcional de vagas para a população mais jovem, as autoridades afirmaram que continuarão o plano de imunização baseado na priorização de faixas etárias mais velhas.


Vacinação acelerada

O Uruguai foi o último país da América Latina a começar o processo de vacinação, no início do mês de março – dois meses após o restante do mundo. Apesar do atraso, o plano de imunização está em ritmo acelerado e o país afirmou ter ao menos 3,75 milhões de doses já compradas ( 2 milhões de doses da vacina da Pfizer e 1,75 milhão de doses da Coronavac).

A prioridade para o começo da vacinação no Uruguai foram os professores e profissionais de segurança, com a vacina da Sinovac. Desde 16 de março, o país também passou a imunizar pessoas de 50 a 70 anos.

Fonte: Exame

[PESQUISA] Rafaela Camaraense convoca jovens a responderem pesquisa Juventudes e a Pandemia do Coronavírus

A Secretária de Juventude da Paraíba fez uma convocação aos jovens e gestores de Juventude para responderem e divulgarem o questionário do Conjuve

Card de divulgação da Pesquisa. Imagem: Reprodução/Conjuve.

O Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE), lançou na última segunda-feira (22), a etapa dois da pesquisa Juventudes e a Pandemia do Coronavírus que busca ouvir os jovens brasileiros sobre a sua percepção quanto à pandemia e como a mesma tem afetado as suas vidas.

A pesquisa é promovida em parceria com a Fundação Roberto Marinho, a UNESCO, a Rede Conhecimento Social, a Visão Mundial, o Mapa Educação, o Em Movimento e o Porvir. Na sua primeira etapa, que foi realizada em maio
de 2020, foram ouvidos 33.688 jovens de todo o país.

Os resultados iniciais mostraram que a pandemia tem afetado diferentes aspectos da vida dos jovens, como perda de trabalho e renda, dificuldade para estudar em casa e elevado nível de estresse.

Segundo o Conjuve, os dados foram amplamente divulgados e usados por organizações e profissionais comprometidos em apoiar o desenvolvimento das juventudes, bem como para pautar e influenciar a ação de tomadores de decisões.

De acordo com o Presidente do Conselho Nacional de Juventude, Marcus Barão, a pesquisa busca nos próprios jovens as respostas para os problemas que a Juventude tem enfrentado na Pandemia.

“Um ano após o início da pandemia de COVID-19, observamos que garantir direitos para a população jovem brasileira tornou-se um desafio complexo. Estamos em busca de respostas dos próprios jovens sobre como a crise sanitária os afeta e como eles podem ser apoiados neste momento.”, relatou Barão.

Marcus Barão, Presidente do Conjuve.
Foto: Reprodução.

A Redação do Gabinete Paraíba entrou em contato com a Secretária de Juventude do Governo da Paraíba, Rafaela Camaraense (Cidadania), que falou um pouco sobre a pesquisa e como o estado se posiciona frente à ela.

“Temos uma parceria muito boa com o Conselho Nacional de Juventude e a pesquisa Juventudes e a Pandemia é muito importante para nós da Secretaria Executiva da Juventude do Governo da Paraíba. Ano passado fizemos a pactuação com o Conjuve para estarmos divulgando o questionário. Os resultados foram impressionantes e a Paraíba foi um dos estados que mais participou, de acordo com o próprio Conselho. Neste momento delicado, precisamos saber o que os jovens de nosso estado têm passado e quais as principais demandas que eles têm para nos apresentar.”, destacou a gestora.

Secretária de Juventude da Paraíba, Rafaela Camaraense. Foto: Reprodução/ASCOM.

A Secretária também fez uma convocação aos jovens de toda a Paraíba.

“Queremos convocar toda a Juventude deste estado, do litoral ao sertão, a estarem participando dessa importante pesquisa nacional. Precisamos entender como este momento os está afetando e precisamos ter uma noção do que podemos elaborar, em matéria de políticas públicas, para que nossos jovens possam ser auxiliados durante a pandemia e também no período pós-pandêmico. A primeira pesquisa foi extremamente necessária e estamos desde já trabalhando em parceria com diversos órgãos da gestão estadual e com os municípios, no sentido de nos aproximarmos ainda mais dos jovens, principalmente os que estão nas regiões mais distantes do nosso estado e os que vivem nas periferias de cidades como João Pessoa, Campina Grande e Patos. Para isso, pedimos também a cooperação dos gestores Municipais se Juventude, para estarem nessa batalha conosco, pelo presente e pelo futuro de nossos jovens paraibanos.”, Finalizou.

Maiores informações

Mais informações acerca do questionário da consulta Juventudes e a Pandemia do Coronavírus (Covid-19) podem ser acessadas diretamente do Instagram do Conjuve (@conjuvebr).

Imagem: Divulgação/Conjuve.

A pesquisa ficará disponível pela internet no período de 22 de março a 5 de abril de 2021. Para responder, basta acessar o link: http://bit.ly/juventudesepandemia2

Redação Gabinete Paraíba

Governador João Azevêdo assina ordem de serviço para implantação da PB-148 ligando S. José dos Cordeiros a Livramento

O anúncio foi feito nas redes sociais do Governador

Foto: Reprodução.


O Governador João Azevêdo (Cidadania) assinei uma ordem de serviço para implantação da PB-148, ligando os municípios de São José dos Cordeiros e Livramento.

Segundo o Governador, essa é uma obra importante, que vai ligar duas regiões: a Serra de Texeira e o Cariri.

“Rapidamente, quem estiver na Serra de Teixeira e quiser ir para o Cariri vai poder utilizar essa estrada, passando em Livramento, em São José dos Cordeiros, chegando ao Cariri e toda a região de Serra Branca, Sumé, Monteiro e tantas outras cidades. Tenho certeza de que estes 18 quilômetros farão uma diferença enorme, principalmente baixando o custo do preço do frete dos produtos que transitam entre as regiões. Serão mais de 40 mil paraibanos beneficiados com um investimento de R$ 18 milhões em recursos próprios.”, Afirmou o gestor.

Redação Gabinete Paraíba

[VACINAÇÃO] Previsão do Ministério da Saúde indica quando você deve se vacinar; confira

Governo prevê 500 milhões de doses dos imunizantes até final do ano

Foto: Reprodução.

O governo federal brasileiro já contabiliza no papel mais de 500 milhões de doses de vacinas contra a covid-19, quantidade suficiente para imunizar a população inteira e contar com uma sobra do bem mais disputado no mundo hoje.

Mas a realidade atual do Brasil é marcada por falta de vacinas, lentidão na aplicação de doses disponíveis, atrasos em entregas previstas dentro e fora do país e consequências da demora do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em comprar imunizantes.

A previsão divulgada pelo Ministério da Saúde já mudou cinco vezes em março, sempre reduzindo o número de doses a serem distribuídas nas próximas semanas e adiando cada vez mais entregas.

A partir das informações atuais, a BBC News Brasil traça a seguir três cenários para o período de vacinação previsto para diferentes grupos da população brasileira — além do pode dar errado ou até melhorar no meio do caminho.

É importante ter em mente que tudo pode mudar, como já foi visto nas últimas semanas.

A tendência, até o momento, é que o início da vacinação dos adultos não prioritários deva acontecer pelo menos em meados do segundo semestre de 2021, enquanto a de jovens com menos de 25 anos deve acontecer só em 2022.

A situação dos menores de idade é ainda mais incerta.

Números e obstáculos

Um estudo recente da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) apontou que que Brasil precisa vacinar 2 milhões por dia para controlar pandemia em até um ano. Especialistas apontam que o país teria capacidade para imunizar mais de 1 milhão de pessoas por dia, como fez na pandemia de H1N1 em 2009.

Em março, no entanto, a taxa de vacinação diária tem variado de 22 mil a 500 mil doses.

O governo federal até agora distribuiu 30 milhões de doses para Estados e municípios. Do total, 14,1 milhões já foram aplicadas, sendo 10,6 milhões como primeira dose.

Até atingir o patamar necessário para conter mortes e infecções, há quatro obstáculos importantes para as 563 milhões de doses previstas para este ano pelo então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. São eles:

– 68 milhões de doses são de vacinas ainda não aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): a indiana Covaxin, a russa Sputnik e a belga Janssen.

– Sem a aprovação desses imunizantes, a vacinação brasileira continuará até junho dependente das duas opções atuais: AstraZeneca-Oxford (Fiocruz) e Coronavac (Butantan).

– O governo Bolsonaro recusou sucessivas ofertas da Pfizer para comprar milhões de doses. Quando decidiu adquiri-las, entrou no fim de uma fila de dezenas de países e só deve receber um volume significativo no segundo semestre.

– O ritmo lento da vacinação aponta, segundo pesquisadores da UFJF, que o Brasil só deve ter 70% da população vacinada no fim de 2022, patamar que pode conter consideravelmente o espalhamento da doença.

“Espero ter sido claro e bem transparente sobre um cronograma previsto. Porque é impressionante quando você apresenta um cronograma previsto e as pessoas perguntam: o cronograma está alterando. O cronograma é para ser alterado, quando a farmacêutica não entrega, a linha de produção para, quando acontece qualquer dificuldade na legalização das doses”, disse Pazuello a jornalistas.

“Não podemos contar com 100% das entregas.”

O Instituto Butantan, por exemplo, informou que só consegue assegurar ao cronograma até abril. Depois dessa data, “a entrega de doses está condicionada à chegada de IFA (matéria-prima da vacina importada) para que o Butantan possa realizar o envase, rotulagem e embalagem das doses”.

A Fiocruz apresentou um cronograma bem parecido com o do Ministério da Saúde para entrega mensal da AstraZeneca-Oxford, e se prepara produzir e entregar ao governo 1 milhão de doses por dia.

As duas instituições brasileiras, que somam 350 milhões de doses previstas pelo governo federal, têm enfrentado sucessivos atrasos nas entregas previstas por diversos motivos, principalmente a demora do envio de doses e matéria-prima importados da China e da Índia. Ambas se preparam para produzir integralmente as vacinas e garantir autonomia nacional, mas isso só deve acontecer entre o segundo semestre de 2021 (Fiocruz) e o primeiro semestre de 2022 (Butantan).

Governos estaduais passaram também a agir para ampliar as doses disponíveis no país. Um exemplo envolve as 37 milhões de doses da Sputnik V contratadas pelo consórcio de governadores do Nordeste. Essas vacinas seriam repassadas ao governo federal, que ficará responsável pelo pagamento e pela distribuição proporcional para todos os municípios brasileiros, e não apenas da região Nordeste. Mas essas vacinas, ainda não aprovadas, nem entraram na previsão do Ministério da Saúde.

Há ainda prefeitos que têm anunciado a compra de vacinas, em consórcio ou em separado, mas essas aquisições ainda não foram confirmadas oficialmente pelos fabricantes. Tampouco é possível afirmar se essas doses seriam repassadas ao governo federal ou aplicadas apenas nos lugares que as compraram.

Grupos prioritários: vacinação estimada até setembro de 2021

O plano de imunização brasileiro contra a covid-19 dividiu a população adulta em prioritários e não prioritários.

O grupo prioritário é subdividido em 29 categorias, entre elas idosos, adultos com comorbidades, profissionais de saúde, pessoas em situação de rua, presos, trabalhadores do setor de educação, agentes de segurança, motoristas de ônibus e caminhoneiros.

Essas pessoas somam 77,3 milhões.

Para vacinar esse grupo inteiro, portanto, seriam necessárias 154 milhões de doses. Considerando as vacinas já aprovadas pela Anvisa, esse montante estaria disponível até junho deste ano, se não houver atrasos na entrega, fabricação ou distribuição.

Por outro lado, o Brasil tem mantido um ritmo de vacinação que corresponde à metade das doses distribuídas. Ou seja, aplicou até agora 14 milhões das 30 milhões enviadas para Estados e municípios. A cada 10 doses aplicadas atualmente, 8 são da Coronavac, criticada e boicotada por meses pelo presidente Jair Bolsonaro, que chegou a cancelar a compra desse imunizante.

A diferença entre o número de doses distribuídas e aplicadas no Brasil se explica em parte à necessidade de reservar uma quantidade como segunda dose, e uma eventual escassez poderia afetar a imunidade dos vacinados. Para tentar acelerar a vacinação, o governo federal recomendou utilizar essas reservas como primeira dose porque fornecedores garantiram as entregas.

Mas essa mudança de orientação federal ainda não surtiu efeito no ritmo de vacinação, e, diante da escassez e de atrasos, é provável que muitos gestores mantenham a política de reservar doses para a segunda aplicação semanas depois da primeira. A eficácia contra a covid só é garantida semanas depois da aplicação da segunda dose.

Se essa proporção de vacinas distribuídas/aplicadas se mantiver ao longo do ano, a imunização dos grupos prioritários pode se estender até setembro de 2021 no Brasil.

Em linhas gerais, a ordem segue três momentos. 1. idosos e profissionais de saúde; 2. adultos com comorbidades; 3. profissionais de categorias profissionais essenciais. A cidade de São Paulo, levou o mês de março inteiro para vacinar apenas idosos de 70 a 79 anos.

O grupo mais numeroso entre os prioritários é o de adultos de 18 a 59 anos com comorbidades (ou doenças pré-existentes), entre elas diabetes, síndrome de Down, fibrose cística, hipertensão, cirrose hepática, cardiopatias e pessoas com obesidade mórbida (IMC acima de 40).

Essa fatia representa quase 18 milhões de pessoas e corre mais riscos de morrer de covid-19 ou desenvolver a forma grave da doença.

Adultos não prioritários: início de vacinação estimado para outubro de 2021

“O ritmo de vacinação no país é insuficiente para vacinar os grupos prioritários do Plano Nacional de Imunização (PNI) no 1º semestre de 2021, o que amplia o horizonte de vacinação para toda a população para meados de 2022. As consequências são inomináveis”, afirmam banqueiros, empresários e economistas em carta aberta com críticas ao governo Bolsonaro e propostas para a pandemia.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de habitantes com idades de 18 a 59 anos no país totaliza 125 milhões de pessoas. Cerca de 40 milhões delas estão no grupo prioritário.

Ainda não está claro como transcorreria a vacinação para esse grupo, mas ela deve seguir os mesmos moldes atuais (adotados inclusive em outros países, como o Reino Unido). As pessoas seriam divididas também em faixas etárias e imunizadas em ordem decrescente, com os jovens em torno de 18 anos por último.

Tampouco é possível estimar o ritmo de vacinação no segundo semestre, mas o governo federal afirma que os obstáculos enfrentados pelo país atualmente correspondem apenas ao início do processo de fabricação e distribuição, concentrado em dois fabricantes.

No segundo semestre de 2021, com mais opções e doses disponíveis, além da fabricação 100% nacional da AstraZeneca-Oxford pela Fiocruz, a tendência seria superar com folga a marca de 1 milhão de vacinados por dia.

Vale lembrar que na pandemia de H1N1, em 2009, o Brasil levou quase três meses para vacinar 80 milhões de pessoas.

Menores de idade: sem previsão de início da vacinação

Além dos quase 85 milhões de adultos não prioritários, devem ser vacinados também os menores de idade, que somam cerca de 48 milhões, segundo o IBGE.

Atualmente, eles não estão listados entre aqueles que receberão a vacina, dada a falta de estudos de segurança e eficácia dos imunizantes com essa faixa etária e a incidência menor de covid-19 grave entre essas pessoas dessa faixa etária.

Mas há estudos em andamento no país com vacinas para menores de idade, e os resultados têm sido promissores.

A farmacêutica chinesa Sinovac, parceira do Instituto Butantan na fabricação da vacina Coronavac, por exemplo, anunciou que os estudos de fase 1 e fase 2 envolvendo 500 jovens com idade de 3 a 17 anos sinalizaram que o imunizante é seguro e foi capaz de induzir o corpo humano a produzir anticorpos contra o coronavírus. Não houve registro de reações graves. Esses dados preliminares ainda não foram revisados por outros cientistas. A fase 3 dos estudos será responsável por confirmar (ou não) a segurança da vacina e a taxa de eficácia contra a doença.

Dado o ritmo de vacinação do país, é provável que os imunizantes sejam aprovados para essas faixas etárias até chegar a vez deles na fila da vacinação, a princípio no primeiro semestre de 2022.

Fonte: BBC News Brasil

[ESPANTADOS] Médicos estão em choque com UTIs lotadas de jovens com Covid-19

“Tivemos a morte de um paciente de apenas 25 anos, o que é muito chocante”, diz médico à BBC News Brasil.

Foto: Reprodução.

Um plantão recente do médico Matheus Alves de Lima, que atende pacientes de covid-19 em UTIs de dois hospitais de campanha no Distrito Federal e arredores, ilustra uma preocupante, mas ainda pouco compreendida mudança no perfil de pacientes graves do novo coronavírus em meio ao colapso dos sistemas de saúde do país.

“Tivemos a morte de um paciente de apenas 25 anos, o que é muito chocante”, explicou Alves à BBC News Brasil.

“E outro paciente, de 28 anos, não resistiu a ser extubado (processo de retirada da ventilação mecânica), precisou ser intubado novamente e fazer hemodiálise. Se não fosse a covid-19, ele provavelmente jamais precisaria fazer hemodiálise nessa idade. Nos dois últimos meses, temos visto cada vez mais pacientes entre 25 e 40 anos, o que assusta – são pacientes da minha idade. São jovens e já chegam graves, depois de ficar esperando por vagas (de UTI) em emergências lotadas. A gente intuba, intuba, e não acaba. Eles chegam precisando de diálise de urgência, às vezes em choque. Tudo isso piora muito seu prognóstico. Às vezes, chegam à UTI só para falecer.”

Esse crescimento no número de pacientes mais jovens em situação grave graves foi comentado pelo secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, em uma entrevista coletiva em 1° de março.

“A pandemia retornou com uma velocidade e uma característica clínica diferentes daquela da primeira onda. São pacientes mais jovens, que têm a sua condição clínica muito mais comprometida e, pior, são pacientes que acabam permanecendo um período mais prolongado nas UTIs. Na primeira onda, tínhamos (nas UTIs paulistas) percentual de mais de 80% de idosos e portadores de doenças crônicas. O que temos visto hoje são pacientes mais jovens, 60% deles de 30 a 50 anos, muitos dos quais sem qualquer doença prévia.”, afirmou Gorinchteyn.

Com o organismo geralmente mais forte do que o de idosos, os mais jovens resistem melhor aos procedimentos que têm sido realizados nas Unidades de Terapia Intensiva, como ventilação mecânica e hemodiálise.

No entanto, como consequência, também acabam ocupando os leitos por muito mais tempo. Segundo Gorinchteyn, a média de ocupação de UTIs em São Paulo passou de 7 a 10 dias por paciente, para 14 a 17 dias “no mínimo”.

‘Acham que vão perder o olfato, mas perdem a vida’

“São as pessoas que se sentem à vontade para sair porque acham que (se pegarem covid-19) só vão perder paladar e olfato, e acabam perdendo a vida”, prosseguiu o secretário.

“Outro aspecto é a gravidade com que eles chegam. Sua oxigenação baixa sem que o indivíduo sinta (se não medir com um oxímero) e, quando ele chega ao hospital, vê-se o quanto sua saturação (de oxigênio no sangue) está baixa e o quanto ele tem comprometimento de pulmão.”

Embora a chegada de pacientes mais jovens com quadro mais graves seja perceptível, ela não é plenamente entendida, porque o Brasil não dispõe de dados oficiais consolidados de casos e internações de covid-19 por faixa etária, explica Marcio Sommer Bittencourt, mestre em saúde pública e integrante do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP, em São Paulo.

Ele lista diversas causas que, somadas, provavelmente compõem o retrato atual.

A primeira é a mencionada por Gorinchteyn: como as populações mais novas – desde jovens adultos até 59 anos – resistem por mais tempo na UTI, a tendência é que aumente a ocupação de leitos por elas.

A segunda é o fato de a infecção por covid-19 ter aumentado exponencialmente em todo o país nos últimos meses – o que levaria, portanto, a mais infecções entre mais jovens. A incógnita é se aumentou proporcionalmente mais entre eles, diz Bittencourt.

“Além disso, os mais jovens são mais economicamente ativos do que os idosos, então saem mais para trabalhar. Isso já acontecia antes (da segunda onda), mas agora (o efeito disso) é mais perceptível.”

Por fim, existe o fato de estarmos diante de variantes mais infecciosas do coronavírus, que podem também estar aumentando a gravidade dos casos.

“Provavelmente são todas essas causas juntas, mas não sabemos qual delas impacta mais o momento atual”, afirma Bittencourt. “O que se sabe com certeza é que as novas cepas em circulação aumentaram o número total de internações e de casos mais graves em geral.”

Novas variantes do coronavírus também contribuem para a gravidade da situação; acima, UTI em SP. Foto: Reprodução.

Sistema em colapso

O quadro é completado e agravado por um sistema de saúde em colapso, que não dá conta de atender com a rapidez necessária para prevenir que o estado de saúde dos pacientes se agrave – por exemplo, muitos passam dias em enfermarias lotadas até conseguirem uma vaga de UTI.

“Como o sistema está colapsado, as pessoas podem não estar recebendo a atenção adequada, mesmo com um esforço muito grande nosso”, diz o médico intensivista Edino Parolo, que atende em UTIs de dois hospitais (um público e um privado) em Porto Alegre (RS).

“A intubação de um paciente grave, por exemplo, é algo que poucos médicos conseguem fazer de maneira segura.”

Ele confirma a chegada de cada vez mais pacientes jovens nos hospitais onde atende, com internações prolongadas e “frustrantes”, pelo impacto físico e emocional que impõem em pacientes, equipes médicas e famílias.

“Certamente não é só uma doença de idosos. Desde o início incomodava essa ideia (difundida) de que seria uma doença que afetaria idosos e debilitados. Minha opinião é de que isso foi combustível para vários erros e deixou os jovens saudáveis menos cuidadosos.”

A avalanche de agravamento de casos começa a se formar ainda no pronto-socorro, porta de entrada dos pacientes com covid-19. “Estou abismado com a quantidade de casos graves. No último sábado, tínhamos 30 pacientes de covid-19 na emergência. Antes da segunda onda, ter 15 pacientes era (equivalente a) um plantão ruim. E hoje (terça-feira, 23/3) soube que há 48 pacientes ali”, diz Lucas Barroti, médico que atende em pronto-socorro de hospital público na cidade de São Paulo.

“Não tem mais nem espaço físico. Alguns pacientes chegam a ficar três dias na emergência (aguardando transferência), e ali vão piorando: primeiro usam cateter nasal, depois máscara respiratória, depois precisam de intubação. Dá a impressão de que a progressão (piora) é amais rápida do que antes.”

E ali Barroti também se assombra com a idade dos pacientes: “A maioria já não é de idosos. Tem na faixa etária de 40, 50 anos – uma parcela deles sem comorbidades, e mesmo assim em estado tão grave quanto (se tivessem).”

A perigosa aposta no ‘tratamento precoce’

E há ainda os malefícios causados pela falsa crença no chamado “tratamento precoce”, defendido pelo presidente Jair Bolsonaro a despeito de cientistas alertarem que não há, até o momento, nenhuma evidência de que remédios como hidroxicloroquina ajudem no enfrentamento contra a covid. Pelo contrário: médicos ouvidos em uma reportagem da BBC News Brasil diz que os efeitos colaterais dos remédios e a demora em procurar atendimento médico tornam o quadro pior.

“Muitos que acreditam na pataquada do tratamento precoce só procuram atendimento quando já estão muito graves”, conclui Marcio Bittencourt.

Além disso, como a campanha de vacinação avança entre as populações mais idosas, é possível que elas comecem a estar mais protegidas que os mais jovens. Na semana passada, dados da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo cedidos ao portal G1 apontaram uma queda de 51,3% das mortes de pessoas entre 85 a 89 anos entre janeiro e fevereiro.

Volume de pacientes é superior à capacidade dos sistemas de saúde. Foto: Reprodução.

Enquanto a campanha de vacinação avança para faixas etárias menores a passos lentos e gestores estaduais e municipais tentam fazer valer restrições à circulação de pessoas, as equipes médicas ainda se veem diante de um número descomunal de pacientes.

Matheus Alves, o médico cujo depoimento abre esta reportagem, conta que a fila de espera por leitos de UTI em hospitais de campanha do Distrito Federal chega a cerca de 400 pacientes.

Ele tem trabalhado 72 horas por semana para dar conta de casos cuja gravidade exige cada vez mais atenção. “Uma coisa é ter uma UTI de pacientes com máscaras (de oxigênio, respirando por conta própria). Outra é ter uma só de pacientes intubados, em diálise ou choque séptico. Trabalho ligado a 200 por hora.”

O caso mais marcante que atendeu até hoje foi há algumas semanas, de um paciente na casa dos 40 anos – o primeiro não idoso que Alves teve de intubar nesta segunda onda de pandemia.

“É um jovem, sem comorbidades e não obeso. Iria prestar concurso público dentro de um mês, porque sonhava em dar um futuro melhor para sua família. Ele não queria ser intubado. Os jovens resistem mais à intubação, não se conformam. Depois do procedimento nele, cheguei em casa e desabei: chorei igual a uma criança. É um homem que tinha sonhos, assim como eu tenho. Aquele medo dele entrou em mim. A maioria de nós médicos ficamos muito sensibilizados com casos tão jovens. Passado mais de um mês, o paciente continua intubado. Mas ele está resistindo.”

Fonte: BBC News Brasil

[SOB PRESSÃO] Bolsonaro se reúne com governadores para discutir agravamento da pandemia

A reunião desta quarta será realizada com chefes do executivo estadual, do Judiciário e do poder legislativo no Palácio da Alvorada

Presidente Bolsonaro. Foto: Reprodução.

Nos últimos 12 meses, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) agiu de diversas maneiras para dificultar o controle da pandemia de coronavírus no país. Negou sua gravidade. Ignorou ofertas de negociações de vacinas. E viu seu ministro da Saúde ser investigado por omissão. Teve como barreira um Congresso Nacional que não atuou contra o Planalto. Mas quando o Brasil se tornou o epicentro da doença, com 298.676 óbitos e mais de 12,1 milhões de infectados, e quando economistas e banqueiros começaram a cobrá-lo publicamente, ele decidiu agir e ensaiar uma nova conduta. Nesta quarta-feira, tentará dar um verniz de liderança que nunca exerceu, de fato, ao coordenar uma reunião com representantes de todos os poderes e de governos estaduais. Diante de tudo que o presidente fala e faz, deve ser mais uma ação para acalmar os ânimos do que uma mudança de rumo.

O Planalto chamou para o encontro os presidentes do Supremo Tribunal Federal, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e apenas seis dos 27 governadores do Brasil. Será uma espécie de confraria entre chefes de Executivos estaduais, já que no grupo somente um dos governadores convidados, Renan Filho (MDB-AL), não é um bolsonarista-raiz. Os outros todos costumam apoiar a maioria das pautas do presidente, são eles: Romeu Zema (NOVO-MG), Ronaldo Caiado (DEM-GO), Wilson Lima (PSC-AM), Ratinho Júnior (PSD-PR) e Coronel Marcos Rocha (PSL-RO).

Oficialmente, a reunião com um número limitado de governadores ocorrerá atendendo um representante de cada região brasileira. Ainda que a região Norte tenha dois, os governadores do Amazonas e de Rondônia. Na prática, o presidente e seu entorno querem evitar que ele seja alvo de críticas, como a que ocorreu um ano atrás quando o governador João Doria (PSDB-SP) cobrou liderança de Bolsonaro e gerou um debate acalorado entre os dois antigos aliados. Naquela ocasião, o tucano disse ao presidente: “O senhor, como presidente da República, tem que dar o exemplo. E tem que ser o mandatário para comandar, para dirigir, para liderar o país e não para dividi-lo”.

A ausência dos opositores foi motivo de queixa no Parlamento. “Não adianta chamar apenas os governadores aliados ou de regiões específicas. Cada Estado tem suas peculiaridades. As medidas de enfrentamento ao coronavírus exigem o Estado brasileiro na sua totalidade”, afirmou o líder da minoria no Senado, Jean Paul Prates (PT-RN).

Dois governadores que hoje fazem oposição ao presidente, um do Nordeste e outro do Sul, relataram ao EL PAÍS, que nem esperavam o convite de Bolsonaro e que preferem agir conforme orientações de suas equipes, já que não dá para contar com o presidente. “Essa reunião não terá efeito prático. Se tiver um resultado positivo, serei o primeiro a aplaudir a iniciativa, mas não vejo perspectivas. Como o ditado popular diz: deste mato não sai coelho. É mais uma ação para inglês ver”, afirmou Prates.

Posse ‘secreta’ de Queiroga

O encontro, a portas fechadas no Palácio da Alvorada, tem o objetivo de mostrar alguma coordenação nacional no controle da pandemia e êxito na campanha de vacinação. A reunião ocorrerá um dia após ele fazer um pronunciamento oficial no qual fingiu nunca ter criticado as farmacêuticas que produzem os imunizantes. O cenário inteiro, no entanto, é caótico. Na terça-feira, o presidente empossou sigilosamente seu novo ministro da Saúde, o médico Marcelo Queiroga. A cerimônia ocorreu de maneira discreta, no gabinete presidencial e não constava da agenda do mandatário. A posse só ocorreu depois que a base parlamentar do presidente passou a cobrá-lo e a pedir que, se o novo ministro não assumisse oficialmente logo, deveria escolher outro nome para a pasta, de preferência um político do Centrão, o grupo de centro-direita que sustenta o presidente na Câmara. Há dias se arrastava o limbo no ministério mais estratégico do Brasil da pandemia, com um ministro demissionário na cadeira, o general Eduardo Pazuello, e outro à espera de poder tomar as rédeas da pasta.

Derrotas judiciais e movimentação no Congresso

A reunião com os governadores e membros do Judiciário acontece também após uma derrota judicial na questão no Supremo Tribunal Federal nesta terça-feira. Pela manhã, o ministro Marco Aurélio Mello negou um pedido feito pelo presidente para derrubar decretos de lockdown firmados pelos governos do Rio Grande do Sul, da Bahia e do Distrito Federal. Ele entendeu que cabe a todos os entes federativos ―União, Estados e municípios― agirem no controle da pandemia, como já havia decidido o próprio Supremo no ano passado. O decano do Judiciário ainda mandou um recado ao presidente. “Ante os ares democráticos vivenciados, impróprio, a todos os títulos, é a visão totalitária. Ao presidente da República cabe a liderança maior, a coordenação de esforços visando o bem-estar dos brasileiros”, declarou.

Nos outros poderes, também se intensificou uma movimentação para tentar mostrar que estão atuando e tentar se descolar na imagem de Bolsonaro, rejeitado pela condução da crise de acordo com as principais pesquisas de opinião recentes. No fim da semana, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) enviou um ofício à vice-presidente dos Estados Unidos e do Senado americano, Kamala Harris, no qual ele solicitou que ela intervenha junto ao Governo Joe Biden para vender as vacinas excedentes para o Brasil. Também aprovaram uma moção em que pede ajuda internacional de outros países, algo que Bolsonaro não fez.

Ainda na terça-feira, os senadores participaram de uma audiência coletiva com representantes de todas as farmacêuticas para entender os gargalos na comercialização de vacinas. E, nesta quarta-feira, deverão interpelar o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, sobre os esforços que o país tem feito para a compra dos imunizantes.

Na Câmara, o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), disse que, nas próximas duas semanas focará o trabalho em projetos que tenham como tema o controle da pandemia. E prometeu fazer um anúncio sobre as medidas políticas e administrativas que o parlamento tomará. Não se trata de comissão parlamentar de inquérito ou abertura de processo de impeachment, segundo interlocutores de Lira.

Fonte: El País