[PRODÍGIO] Jovem do Sertão Paraibano representa o Brasil em Concurso Internacional de Redação

O jovem Arlindo Alves de Farias, 20 anos, natural de São Bento das Redes, adotou o município de Paulista, terra do Poeta Leandro Gomes de Barros, como sua casa. Em 2021, Farias participa do Desafio de Redação Drucker 2021 e representa o Brasil na 12ª edição do Peter Drucker Challenge.

Arlindo Farias. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação.

Arlindo é estudante egresso da Escola Pública Estadual Francisco de Sá Cavalcante e, hoje, cursa Direito na UFCG Campus Sousa e Letras no Centro Internacional Uninter. O jovem revelou sua felicidade em participar de mais um concurso e desta vez uma competição de nível internacional, levando o nome do Sertão, da Paraíba e do Brasil.

“Nossa. Meu coração não cabe de alegria. Participar de uma competição internacional sempre foi meu sonho e hoje posso realizar na área que eu mais amo e me dedico, a redação. Essa conquista é fruto de muita perseverança, fé em Deus e certeza de que tudo é possível para aquele que crê. Eu tenho a certeza de que o papai do céu preparou tudo isso em minha vida e o Peter Drucker veio me proporcionar a concretização de um projeto que começou em 2018 quando ingressei na universidade de direito”, destacou Arlindo.

O Desafio Peter Drucker é um programa internacional que, anualmente, seleciona jovens universitários, mestrandos, graduandos, de todas as regiões do planeta. O jovem do município de Paulista está no processo seletivo 21 que tem como tema “O que a crise exige do gestor”. Os participantes que lograrem êxito serão contemplados com uma premiação em dinheiro e com um intercâmbio para a Áustria.

Em diálogo com a Redação do Gabinete Paraíba, Arlindo destacou a importância da temática da redação para a atual conjuntura política, social, econômica e sanitária na qual vivemos, em meio à pandemia da Covid-19.

“Vive-se um momento atípico da sociedade. A comunidade mundial mudou drasticamente os hábitos globais em decorrência da Pandemia. Neste sentido, o tema proposto traz como objetivo discutir o problema da crise em face às administrações, pois muitos gestores, empresários e até mesmo outros segmentos não souberam lidar de forma efetiva com a Pandemia e seus reflexos cotidianos. É um tema necessário e que deve ser pontuado, principalmente, na agenda política”, destacou o jovem.

Arlindo ministrando aulas de redação para o Enem aos jovens sertanejos. Foto: Arlindo Farias/Reprodução.

O jovem tem sido um destaque na região do sertão pela sua trajetória de superação e de uma vida inteiramente dedicada aos estudos. Mesmo tão novo, o estudante vem promovendo ações que são de admirar, pela ousadia e determinação, como por exemplo, com relação aos projetos sociais na área de Educação que tem desenvolvido nas cidades de Paulista, Pombal e em vários outros municípios da região.

Turma de Redação do Município de Vista Serrana. Foto: Arlindo Farias/Reprodução.

Sobre o Peter Drucker Challenge 2021 e a premiação

Palácio de Hofburg – Áustria. Foto: Reprodução.

O concurso de redação Peter Drucker 2021 possui duas categorias: estudante e profissional. Os primeiros colocados na em cada uma receberão 1.500 euros (equivalente a R$ 9.805,69) bem como o direito à participação gratuita no Fórum Global Peter Drucker.

Os finalistas que ficarem até a 10ª posição também poderão participar do evento de forma gratuita. O fórum deve ser realizado nos dias 17 a 19 de novembro em Viena, caso a situação pandêmica esteja melhor.

Além de participar desse fórum (que inclui também recepção e refeições), os vencedores também poderão ter seus textos publicados e ganham assinatura de um ano com acesso irrestrito à Harvard Business Review.

Os custos da viagem para Áustria serão totalmente reembolsados. Isso incluirá despesas de viagem e acomodação.

Redação Gabinete Paraíba

[MEMÓRIA] No dia do Trabalhador, Governo da Paraíba homenageia Margarida Maria Alves assassinada em 1983

O instagram oficial do Governo do Estado da Paraíba amanheceu neste 1° de Maio com uma bela homenagem à líder sindical, Margarida Maria Alves.

Foto: Governo da Paraíba/Reprodução.

Margarida Alves nasceu no município de Alagoa Grande, no brejo paraibano, em 05 de agosto de 1933.

A líder sindical notabilizou-se por ser uma das primeiras mulheres a ocupar um cargo de liderança na direção do sindicato dos trabalhadores rurais.

Sua luta iniciou bem cedo, quando ela e sua família foram expulsos da terra em que viviam, no sítio Jacu.

Os embates liderados – dentre eles as mais de 600 ações trabalhistas contra usineiros e fazendeiros de sua região – por esta importante mulher foram conhecidos em todo território nacional. Uma luta incessante em defesa dos direitos e contra a exploração do trabalhador camponês.

Além disso, Margarida defendia direitos como a carteira assinada, a jornada de 8 horas de trabalho, bem como o direito ao 13° salário e às férias.

Toda sua atuação em prol dos trabalhadores não era bem vista aos olhos dos grandes latifundiários da Paraíba, que em 12 de agosto de 1983 encomendaram seu assassinato, quando ela foi alvejada no rosto por tiros de espingarda, quando estava na companhia de seu marido e seu filho em casa. Um crime verdadeiramente bárbaro e que comoveu todo o povo brasileiro.

O legado de Margarida Maria Alves não morreu e todos os anos ela é lembrada, pelo movimento de Mulheres, com a Marcha das Margaridas.

Uma das frases que a líder sindical dizia e que ficou para a história foi a seguinte: “Da luta eu não fujo, é melhor morrer na luta que morrer de fome.”

Para saber mais sobre a homenagem do Governo, acesse o instagram: @govparaiba.

Homenagem à Margarida Maria Alves.
Foto: Governo da Paraíba/Reprodução.

Redação Gabinete Paraíba

[1° de Maio] Por que Dia do Trabalhador e não Dia do Trabalho?

Por Ângelo Emílio da Silva Pessoa.

Dia do trabalhador ou do trabalho? A batalha sobre os diferentes significados da data.

Frequentemente, os professores de História se defrontam com a necessidade de discutirem com seus alunos sobre os significados de determinadas datas selecionadas no calendário como comemorativas de determinado acontecimento, celebrizado pela memória popular ou pelas autoridades. Uma questão nada fácil é estabelecer um tipo de discussão sobre esses significados, que ultrapasse a mera louvação dos heróis da tradição ou que se esgote numa linguagem estéril e panfletária. Ambas acabam por adotar a mesma postura rasa e linear, que apenas inverte alguns sinais de quem são os mocinhos ou os bandidos, mas que não aprofunda e problematiza as questões que devem estar associadas a um ensino de História efetivamente crítico. A discussão dos significados de certas datas possibilita a problematização de questões que dizem respeito não apenas aos fatos rememorados em si, mas, principalmente, qual a relação que estabelecemos presentemente com essas questões, a partir dos desafios de nosso próprio tempo. No que diz respeito a uma dessas datas, há certa dúvida sobre sua denominação: afinal, 1° de Maio deve ser chamado de Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador? Esse questionamento é um bom ponto de partida para um professor de História discutir com seus alunos. A data de 1° de Maio está associada às lutas operárias do século XIX, que tiveram entre uma de suas grandes causas a jornada de 8 horas diárias de trabalho. Um dos grandes problemas que afligia os operários fabris era o das excessivas jornadas de trabalho sem qualquer proteção aos trabalhadores. Muitas fábricas contratavam mulheres e crianças para atividades estafantes, nas quais os acidentes de trabalho eram constantes e as mortes aconteciam com freqüência. Submetidos a brutais condições de trabalho, péssima moradia e alimentação, os trabalhadores buscavam se organizar para reivindicar direitos. As campanhas pela jornada de trabalho de 8 horas (8 horas de trabalho, 8 horas de descanso e 8 horas de lazer) se alastraram por vários países e provocaram importantes mobilizações de trabalhadores, apesar da intensa repressão que patrões e autoridades promoviam.

A luta pela jornada das oito horas gerou amplas mobilizações em diversos países em todo o mundo

No dia 1° de Maio de 1886, trabalhadores da cidade de Chicago (EUA) promoviam uma manifestação em favor da jornada de 8 horas, quando sofreram ataque da polícia, com saldo de vários mortos e feridos. Nos dias seguintes os protestos se repetiram, culminando com o massacre de Haymarket Square, no qual os trabalhadores foram acusados de atacar a polícia e sofreram brutal repressão e posterior perseguição.

Massacre em Chicago, que se tornou referência para as lutas de trabalhadores em vários países.

A data de 1° de Maio passou a ser adotada pelos movimentos operários como momento de luta contra a exploração do trabalho e o reconhecimento de direitos. Em vários países, a comemoração dessa data marcava um importante momento das lutas dos trabalhadores e de manifestação de suas reivindicações. Ao longo do século XX e início do XXI, no Brasil e em diversos países tivemos momentos de intensas lutas de trabalhadores pela busca de seus direitos, como a busca da proibição da exploração do trabalho infantil, a garantia da seguridade social, a melhoria salarial, entre diversas outras campanhas que mobilizaram gerações de trabalhadores nas cidades e no campo. As greves do ABC paulista, nos finais dos anos 1970, aparecem como um desses importantes momentos de luta, no qual os operários fabris desafiaram seus patrões e a repressão de uma ditadura militar que proibia essas manifestações. Elas marcaram lugar no conjunto das lutas sociais do Brasil nas últimas décadas.

As greves do final dos anos 1970 no ABC paulista foram momentos significativos de luta dos trabalhadores, que desafiaram os patrões e a ditadura militar.

Com o passar dos anos, em vez de simplesmente reprimir as manifestações dos trabalhadores – muito embora a repressão ainda seja prática comum –, as autoridades passaram a buscar o controle da data, tentando “domesticar” essas lutas numa homenagem ao trabalho e não aos trabalhadores. Daí decorre essa disputa em torno dos significados da data: para os movimentos de trabalhadores a data corresponde à manifestação de suas lutas, para as autoridades há a tentativa de restringir a data a uma condição oficial de celebração do trabalho. Em sociedades como a nossa, na qual a superexploração do trabalho é um traço constante, a disputa em torno desses significados do 1° de Maio ganha em atualidade. Certamente o trabalho, como atividade criadora humana, é uma dimensão importante da vida, mas o trabalhador preexiste ao trabalho, ele é que garante esse esforço de criação e recriação da vida e os resultados de seu esforço devem lhe retornar como usufruto dos bens que ele mesmo constrói.

O avanço das novas tecnologias, apesar das promessas de libertação do trabalho estafante, trouxe novas modalidades de superexploração, que afetam trabalhadores das áreas mais avançadas da economia.

Obs.: Texto escrito em 01 de maio de 2012 e retirado originalmente do blog Terras de História.

Sobre Ângelo Emílio

Ângelo Emílio da Silva Pessoa é Professor do Departamento de História da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).