[MULHERES] Com aumento de 84% na procura, Governo do Estado inscreve 85 municípios no Selo Prefeitura Parceira da Mulheres 2021

O Governo do Estado, através da Secretaria da Mulher e Diversidade Humana, divulgou essa semana o número de inscrições homologadas da Premiação do Selo Prefeitura Parceira das Mulheres – Ano da Igualdade Étnico Racial, ao todo 85 municípios tiveram suas inscrições aceitas, o que representa 38% do municípios paraibanos e um aumento de 84% no número de inscritos em relação a primeira edição, que em 2019 inscreveu 51 prefeituras.

Imagem Divulgação

O Selo Prefeitura Parceira das Mulheres, é uma iniciativa da Secretaria da Mulher e Diversidade Humana, em parceria com a Secretaria do Desenvolvimento e Articulação Municipal e com a Federação das Associações dos Municípios. Em sua segunda edição, o Selo se destina à execução de ações para todas as mulheres, com prioridade para mulheres negras, de comunidades tradicionais e dos povos originários, tem como objetivo selecionar práticas inovadoras e comprometidas com as mulheres em toda sua diversidade, considerando o recorte étnico-racial, geracional, orientação sexual e identidade de gênero, deficiência e localidade.

Para a Secretária da Mulher, Lídia Moura, o crescimento do número de inscrições representa uma grande conquista, segundo ela, o edital de lançamento de inscrições já funciona quase como uma consultoria, tendo em vista que ele apresenta uma série de medidas em que a Secretaria aponta várias possibilidades de atuação de um município, para beneficiar a população de mulheres. Lídia também destaca a importância da questão étnico racial, tema do selo esse ano:

“Este é o ano da igualdade racial e, portanto, há também políticas que vão beneficiar nesse sentido, que são iniciativas em que as prefeituras estarão fazendo o enfrentamento ao racismo, já que na questão da violência, por exemplo, as mulheres negras são as mais afetadas. Então é necessário que os municípios comecem a dar respostas também para o enfrentamento desse racismo, para o enfrentamento a intolerância religiosa, para a proteção das mulheres, sobretudo as mulheres negras que são as mais afetadas com essas violências.”

A Secretaria também destaca outros eixos do programa, como o empreendedorismo, a questão cultural, emprego e renda, na questão da saúde, entre outros. Para Lídia, o número de municípios inscritos, que somam 38% das cidades do estado, já representa o início dos próprios trabalhos, pois no ato de inscrição as prefeituras necessitam apresentar o pré-projeto das iniciativas que serão realizadas ao longo de todo ano até a premiação, que ocorrerá em 2022.

“Nós teremos 85 prefeituras paraibanas trabalhando, se movimentando para implantação de políticas públicas para as mulheres, inclusive com essa perspectiva do enfrentamento ao racismo. Então é uma vitória em tempos de pandemia, que os governos tenham se articulado, que gestores e gestoras tenham colocado as suas equipes para atuar e fazer projetos. Nós acreditamos que o resultado será com novas políticas, com novas possibilidades, com ações, com incremento de ações que já existam e isso vai resultar em benefícios para toda sociedade do nosso estado.” Complementou Lídia Moura.

Para George Coelho, Presidente da FAMUP, entidade parceira do projeto, o Selo tem contribuído com o fortalecimento das práticas de proteção as mulheres e da garantia de seus direitos:

“O Selo Social Prefeitura Parceira das Mulheres tem contribuído diretamente para o fortalecimento das práticas de proteção às mulheres nos municípios, promovendo equidade de gênero. A Famup que apóia o projeto tem disponibilizado aos gestores uma equipe técnica para auxiliar a elaboração das propostas ou projetos, que foram inscritos pelos municípios. Destacamos o aumento das adesões nessa segunda edição do prêmio e parabenizamos os 85 municípios selecionados. A promoção de políticas públicas é fundamental para garantir os direitos das mulheres”, disse George Coelho.

Já para a Secretária da SEDAM, Ana Claudia Vital, o crescimento do número de inscrições por si só representa a confiança dos municípios paraibanos nesse importante projeto, que desde a sua primeira edição, tem colaborado e fortalecido no desenvolvimento e na manutenção de políticas tão importantes para o segmento das mulheres.

Desde 2019, a SEDAM tem atuado na articulação, organização e divulgação desse importante projeto, somos parceiras e incentivadoras da política para as mulheres, acreditamos fortemente que iniciativas como essa ajudam a proteger a vida das mulheres, gera crescimento, independência e o empoderamento feminino, como também no desenvolvimento da nossa própria sociedade. Ficamos contentes com o aumento do número de inscritos, com a confiança dos gestores e gestoras, seguimos a disposição para apoiar e construir no que for preciso. Esperamos também que em 2022, várias prefeituras possam ser premiadas e que o estado da Paraíba possa ser tornar, cada vez mais, uma referência na luta por todas as mulheres.

Redação Gabinete Paraíba

[SERÁ POSSÍVEL?] A Escola de Doidos do Presidente Delfim Moreira

Por Wéverton Correia

Presidentes Delfim Moreira e Bolsonaro.
Foto: Reprodução.

A década de 10, do século XX, foi um período que viveu importantes acontecimentos históricos ao redor do Mundo, dentre os quais podemos destacar a passagem do Cometa Halley (1910), o naufrágio do Titanic (1912), o início da Primeira Grande Guerra (1914), a eclosão da Revolução Russa (1917), que daria início ao período da União Soviética (URSS), e no ano de 1918, a grande gripe de 18, conhecida como Gripe Espanhola (que ironicamente, teve seu primeiro caso nos States).

Gripe Espanhola. Foto: Brasil Escola/Reprodução.

O Brasil vivia o período da República do “Café com Leite”, com a alternância do poder entre São Paulo e Minas Gerais. Pouco mais de 20 anos antes, o país tinha deixado de ser uma Monarquia, para se tornar uma República Federativa (por meio de um golpe militar… Será uma sina, desde os primórdios do Brasil?!).

Em 1918, o ex-Presidente Rodrigues Alves, do Partido Republicano Paulista (PRP) que havia governado o país entre 1902 e 1906, voltaria a assumir o posto, para o qual foi reeleito, como Chefe do Executivo Nacional. Mas as doenças e o estado de saúde do político foram duríssimos consigo, de modo que ele foi acometido, pouco antes de tomar posse como Presidente, pela Gripe Espanhola (que assolou o mundo entre 1918 e 1920), que retirou-lhe o direito de ocupar novamente o Palácio do Catete, no Rio de Janeiro.

Presidente Rodrigues Alves.
Imagem: Arquivo Nacional/ Reprodução.

Após sua morte, assumiu interinamente em seu lugar, seu vice, o advogado e ex-Presidente do Estado de Minas Gerais, Delfim Moreira, do Partido Republicano Mineiro (PRM).

Moreira certamente foi um dos mais anômalos personagens (e qual não foi nesse período?) da história do Brasil e consequentemente da Política. Não tinha interesse algum em assumir a Presidência do Brasil, mas o fez, tornando-se um dos presidentes mais memoráveis entre os estudiosos da República, não pelos seus feitos, mas pela sua loucura.

Você deve estar se perguntando: – “Loucura, como assim?!” Pois é! O Presidente Delfim Moreira foi afetado durante o período em que foi Presidente, por uma doença que o incapacitava mentalmente. Os estudiosos afirmam que teria sido motivada pela arteriosclerose prematura ou por uma sífilis terciária, que teriam o acometido.

A verdade é que durante seu conturbado governo de apenas oito meses, além de enfrentar uma série de conflitos com trabalhadores, políticos e uma conjuntura internacional agitada, o Presidente também lutava contra a loucura e assinava documentos sem ler, espionava outros políticos por trás das portas do Palácio do Catete, ria de seus assessores durante reuniões, cogitou criar galinhas no palácio, dentre outras coisas inimagináveis para um Presidente.

Conta-se que o jurista Ruy Barbosa, indignado em relação a Delfim, teria deixado uma declaração que ficou para a história.

“O Brasil é mesmo um país muito estranho. Até um louco chega a Presidente e eu, são e no gozo de minhas faculdades mentais, não posso.”

Moreira saiu da Presidência após as eleições de 1919 e se tornaria mais uma vez, Vice-Presidente, quando o paraibano Epitácio Pessoa (escolhido pelos paulistas do PRP) venceu as eleições contra o baiano Ruy Barbosa.

Eleições de 1919, com Epitácio e Ruy. Foto: Biblioteca Nacional Digital/Reprodução.

Bem, coincidência ou não, estamos em 2021, 102 anos depois, vivendo um período também bastante agitado no cenário internacional, com a Guerra Comercial entre os EUA e a China, com uma pandemia mundial, do novo coronavírus (Covid-19) e com uma situação um pouco parecida com a da época da República Velha, com insatisfação dos trabalhadores, desemprego, fome e um governo tão insólito quanto o do Presidente Moreira.

Pandemia do Coronavírus no Brasil.
Foto: Getty Images/Reprodução.

Nesta quarta-feira (05), o Deputado Federal e Presidente da Frente Parlamentar Brasil-China, do Congresso Nacional, Fausto Pinato (Progressistas – SP), sugeriu em uma nota da Frente, que o atual presidente pode estar sofrendo de uma grave doença mental (causada pelo excesso de hidroxicloroquina, será?!) que segundo ele, “faz o presidente confundir realidade com ficção”.

A declaração de Pinato foi divulgada no Twitter após o Presidente ter feito uma suposição de que a China usou o vírus da Covid-19 como parte de uma arma química contra o Mundo, uma declaração inteiramente baseada em teorias conspiratórias e que fogem completamente do real. Inclusive, a declaração, pode gerar efeitos terríveis na relação sino-brasileira, principalmente, porque o gigante asiático é o parceiro comercial n° 01 do Brasil.

Tuíte de Fausto Pinato. Foto: Twitter/Reprodução.

Bom, não é o primeiro ato ou declaração estranha que o atual Presidente da República nos reservou durante os últimos tempos. Na verdade, seu governo é recheado de um misto de comédia e tragédia, que nos deixam boquiabertos, pensando que nunca mais veremos algo semelhante, e aí, ele vai lá e faz mais uma peripécia, que nos choca profundamente.

Desta vez, pelos “deficientes mentais” que estamos falando, vou ter que abrir uma exceção à regra de Suassuna, meu mestre e escritor favorito, acerca dos chamados por ele de “doidos”. Vou adaptar a frase do primo de Ariano, Saul, sobre os “doidos” que existiam em sua família, para trazê-la à realidade do Governo atualmente: “…quem não é doido junta pedra pra jogar no povo”.

Será possível que estamos vivendo mais um episódio de um governante “maluco” no Brasil? Porventura fez o Presidente Delfim Moreira, uma escola para doidos assumirem a Presidência da República e o atual mandatário teria se matriculado? Diante de tudo isto, deixo esta reflexão para você, leitor (a), enquanto repito as palavras do grande Barbosa: “O Brasil é mesmo um país muito estranho” e digo mais, muito louco! Tomara que toda esta loucura não nos leve para um abismo maior! Esta é a minha prece contra esse tipo de doido – que particularmente e diferente dos demais – não gosto!


PRESIDENTE DA SEMANA: Presidente da Semana – Ep. 9 – Delfim Moreira, doente e breve, e Epitácio Pessoa, o começo do fim. Entrevistado: Pedro Dória. Entrevistador: Rodrigo Viseu. Folha de São Paulo, 11 jun. 2018. Podcast. Disponível em: https://open.spotify.com/episode/2fR8N4O30GlNQl4hGTKpg4?si=a57AlAgORwSHdNQ3VRi5Cg&utm_source=copy-link. Acesso em: 06 mai. 2021.

TRINDADE, Sérgio. O Brasil já teve um Presidente louco. História nos detalhes, 2020. Disponível em: <http://historianosdetalhes.com.br/historia-do-brasil/o-brasil-ja-teve-um-presidente-louco/>. Acesso em: 06 mai. 2021.