Diálogo em campanha: uma análise das estratégias comunicativas das principais pré-candidaturas a governador da PB

Esta análise pretende identificar a ocorrência do diálogo, sua natureza e contribuição para o esclarecimento da percepção dos eleitores sobre as principais pré-candidaturas a governador da Paraíba, nestas eleições de 2022: João Azevêdo (PSB), Veneziano Vital do Rêgo (MDB), Pedro Cunha Lima (PSDB) e Nilvan Ferreira (PL).


O primeiro objetivo é elaborar uma análise quantitativa da ocorrência do diálogo direto entre as candidaturas e seus eleitores. O segundo objetivo é qualificar a natureza desse diálogo, classificando-o em três categorias: desconstrução da imagem pessoal, desconstrução da imagem política e crítica ao projeto político defendido pelo adversário. Tal classificação permite avaliar em que medida o diálogo vêm promovendo um crescimento ou decréscimo destas populações durante as últimas semanas, entre os projetos governamentais em disputa.

João Azevêdo – Começando pelo candidato a reeleição, o atual governador João Azevêdo, que recentemente trocou o Cidadania pelo partido através do qual foi eleito em 2018, voltando, portanto, ao PSB. Este tinha, até o início do ano, muitos apoios políticos, que acabou perdendo por fatores diversos. Muitos analistas avaliam que a perda vem ocorrendo em virtude da ausência de diálogo e articulações mal-sucedidas, alegação também citada pelos ex-aliados.

Foi assim que o gestor estadual perdeu o apoio do atual pré-candidato a governador da Paraíba, Senador e Vice-presidente do Senado Federal, Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB). Sobre essa perda, o governador tentou, inicialmente, se aproximar do adversário do senador em Campina Grande, o ex-prefeito Romero Rodrigues (PSC), tentando atrai-lo para a vice-governadoria, sem sucesso. Segundo até mesmo aliados do governador, por falta de diálogo o grupo perdeu o apoio de Veneziano, que chegou a declarar que o MDB não seria somente chamado para compor ata no dia das convenções.

Em seguida, João, também por falta de diálogo, perdeu o apoio do deputado federal e pré-candidato a senador Efraim Filho (União Brasil), e de seu grupo, que cobravam ser chamados para dialogar com o governador. Esta semana, o atual líder do chamado “blocão” na Assembleia Legislativa da Paraíba, que dá sustentação política a João Azevedo, deputado estadual Ricardo Barbosa (PSB), alegou em entrevistas que João tinha se reunido para tratar sobre a composição da chapa com o deputado federal e pré-candidato ao Senado, Aguinaldo Ribeiro, mais de 12 vezes em 120 dias e nenhuma com Efraim. Agora é o Republicanos que ameaça deixar a base de João caso ceda à pressão do Progressistas para que obriguem os republicanos a apoiarem a pré-candidatura de Aguinaldo a senador.

Veneziano Vital – Ao analisar essa postulação, nota-se um diálogo com seus aliados, o que é notável na sua ascensão, principalmente na última semana, quando ficou claro uma grande movimentação, inclusive com a adesão do prefeito Léo Bandeira e vários vereadores de Lucena, e também do prefeito Marcelo de Pilõezinhos, sem contar com os apoios já recebidos, como o do prefeito de Cabedelo Vitor Hugo junto com os vereadores, o de Brejo do Cruz e Joca Claudino, o do prefeito da cidade de Diamante, Hermes Mangueira, e de seu grupo político, dentre outras, à pré-candidatura a governador de Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB).

Pode-se dizer que foi a pré-candidatura que mais atraiu apoios políticos durante as últimas semanas. E todos os que passaram a apoiar Veneziano afirmaram que o fizeram por conta da falta de diálogo no grupo do governador. Tudo isso sem falar ainda do poder de mobilização que o Partido dos Trabalhadores (PT) poderá fazer a partir do momento em que o ex-presidente Lula anunciar a sua vinda à Paraíba, para declarar pessoalmente seu apoio ao candidato a governador Veneziano e ao pré-candidato a senador Ricardo Coutinho.

Pedro Cunha Lima – Filho do ex-senador Cássio Cunha Lima, Pedro comemorou o apoio de Efraim Filho e do União Brasil ao seu projeto. Continha foi dito, pela falta de diálogo com o governador. PCL também vem somando alguns apoios, mas luta para que seus aliados apoiem a pré-candidatura de Efraim a senador, tendo em vista que uma das suas maiores lideranças, o ex-prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues, apoia o projeto a senador de Bruno Roberto (PL), o mesmo ocorrendo com outro aliado, o deputado federal Ruy Carneiro (PSC). Já Bruno Roberto, por sua vez, apoia a pré-candidatura de Nilvan Ferreira.

Noutra vertente, Pedro também teve perdas nesta semana, a exemplo do ex-lider do governo do prefeito de Campina, Bruno Cunha Lima (seu primo), o vereador Alexandre do Sindicato, que anunciou apoio a Nilvan. Pedro, também na comunicação visual de sua pré-campanha, sobretudo nas redes sociais, vem sendo criticado por promover a desconstrução da imagem pessoal da sua família, ao retirar propositadamente o sobrenome Cunha Lima do seu material.

Nilvan Ferreira – O jornalista, que se apresenta na pré-campanha como representante do presidente Bolsonaro na Paraíba, não vem conseguindo, por meio da sua narrativa, aglutinar grandes apoios de outras legendas, nem mesmo as tradicionais bolsonaristas como o PTB e PP, que apoiam o presidente a nível nacional.

Pelo seu perfil, percebe-se que o direcionamento de seus discursos e de suas estratégias de comunicação seguem uma orientação semelhante à do presidente Bolsonaro, como forma de atrair e fidelizar o público considerado “Bolsonarista” na Paraíba.

Conclui-se, desta forma, que a ocorrência do diálogo entre os pré-candidatos em 2022 se traduz na potencialização ou não da súbita competitividade de suas pré-campanhas.

Da Redação

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