13 de Maio: o dia que era pra ser e nunca foi

Por Wéverton Correia

Revista Illustrada, n. 471, p. 5, 19 nov. 1887

A data de hoje – dia 13 de Maio – me traz muitas recordações das aulas de história do ensino fundamental, na escola, bem como dos livros didáticos que utilizávamos naquela época.

Grande parte do que eu havia aprendido, a respeito desta data, através da leitura daqueles livros, perpetuou na minha cabeça por um longo tempo. Acredito, inclusive, que muitos dos meus colegas de classe da época, ainda guardam o mesmo entendimento, mesmo nos dias atuais.

Garoto com Livro Didático.
Foto: Júlio César Paes/Reprodução.

Estou falando da data que marca a Abolição da Escravidão no Brasil, instituída pela Lei n° 3.353, conhecida como a “Lei Áurea”, que foi assinada pela Princesa Isabel e que hoje, completa 133 anos.

Lei Áurea. Foto: Arquivo Nacional/Reprodução.

Recordo que conhecer aquele episódio e saber que após 300 anos de Escravidão no país, uma mulher havia se levantado e determinado o fim de uma página tão vergonhosa e trágica de nossa história, nos causou grande admiração.

A imagem da Princesa Isabel, como uma heroína (talvez uma das maiores) e salvadora (a figura da mãe caridosa) do povo negro era algo bastante real e que havia impregnado em nossa memória.

Princesa Isabel do Brasil.
Foto: Tesouro Nacional/Reprodução.

Com o passar dos anos, o avanço dos estudos e de outras leituras, pude reconhecer que na verdade não era bem assim que a história da abolição tinha se dado.

Além da Princesa Isabel (não podemos tirar sua importância política e histórica nesse momento), por trás desse marco, está o sangue, a dor, a força e as lutas do povo negro ao longo dos anos, assim como a forte pressão externa que azucrinava o último país do ocidente que ainda não havia abolido a escravidão, bem como os ideais liberais e republicanos, todos estes fatores somados aos esforços de importantes abolicionistas como o advogado e jornalista, Luiz Gama, o engenheiro, André Rebouças, o farmacêutico e escritor, José do Patrocínio (todos negros), o historiador e diplomata, Joaquim Nabuco, dentre outros, que tiveram sua participação apagada.

A verdade é que a abolição se deu de modo bastante controverso, num país de uma elite inteiramente racista, escravocrata, de um congresso extremamente conservador, que no fundo não queria tomar essa decisão. Um país onde a libertação do povo negro é vista como uma benesse concedida por uma pessoa branca, e os verdadeiros protagonistas são ofuscados e muitas vezes nem lembrados (como acontecia nos nossos livros didáticos) como se a luta e o sangue de muitos negros não tivesse tido importância alguma.

A liberdade no papel foi garantida através dos dois únicos artigos da Lei, mas a liberdade de fato e de direito, que é tema ainda hoje de muitas discussões, não aconteceu. O povo negro foi largado à própria sorte, sem oportunidades dignas de trabalho, sem indenização, sem moradia, sem educação, sob a fome e a pobreza extrema, que marcou a formação do povo brasileiro e que deu início às grandes favelas que temos espalhadas nos grandes centros urbanos.

Favela no Rio de Janeiro.
Foto: Marcelo Horn/Governo do RJ/Reprodução.

Uma realidade muito triste, onde três em cada quatro pessoas mais pobres no país são pretas, de acordo com o IBGE, o equivalente a 76% da pobreza total, mesmo sendo a maior parte da população formada por pessoas negras (pretas e pardas), um total de 54% do povo brasileiro.

Crianças em situação de extrema pobreza.
Foto: Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro/Reprodução.

A liberdade do 13 de Maio é uma liberdade sem sentido e ilusória, na qual a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado, de acordo com a CPI do Senado Federal, sobre o assassinato de jovens. Uma liberdade onde uma pessoa negra carrega desde o seu nascimento o estereótipo de pobre, favelada, bandida e consequentemente é marcada para morrer logo em seguida, sendo assassinada, jogada e esquecida dentro de uma prisão ou morrendo pela própria ineficiência do estado em prover condições dignas de existência para as tais.

13 de Maio é o dia que devia ser, mas nunca foi. Nunca foi o dia da liberdade. O povo negro segue acorrentado por grilhões bem visíveis e reais, heranças da escravidão que deveria ter sido abolida, mas que foi apenas formalmente, no papel, e nunca de verdade.

Entretanto, tenho aprendido diariamente, com meu povo negro, que independente de qualquer prisão, de qualquer forma de tentar nos oprimir, de qualquer tentativa de ofuscar nosso protagonismo, nós nunca vamos ficar inertes e calados. A luta continua sempre!

O dia 13 de Maio é resignificado, tendo antes sido utilizado para celebrar a falsa caridade, hoje passa a ser entendido como um dia de denúncia nacional contra o racismo. Racismo que ainda é tão presente no país, o mesmo país que tem vergonha de se dizer racista, mas que no fundo sabe que é.

Infográfico. Imagem: TRT-4 (RS)/Reprodução.

Que as crianças deste país tenham a oportunidade de ter uma educação libertadora de fato, que lhes mostre – diferente do que aconteceu comigo nos tempos do fundamental – quem são os verdadeiros heróis nacionais, que construíram o Brasil com sua força de trabalho, a duras penas, durante os terríveis anos de escravidão e ao longo da história da formação de nossa nação.

Este é o meu sentimento neste dia! Meu desejo mais profundo!

Termino, portanto, com um trecho do poema, que na verdade é uma excelente reflexão acerca do 13 de Maio, da escritora negra brasileira (neta de escravizados e que viveu na pele as dores da liberdade que era pra ser e não foi), a Carolina Maria de Jesus, que acordou com a mesma percepção que eu, num dia igualmente chuvoso como o da Cidade da Parahyba hoje:

13 de Maio

Hoje amanheceu chovendo.
É um dia simpático para mim.
É o dia da Abolição.
Dia que comemoramos a libertação dos escravos.
[…]
Continua chovendo,
E eu tenho só feijão e sal.
A chuva está forte.
[…]
E assim no dia 13 de maio de
1958 eu lutava contra a
escravatura atual – a fome.

[SERÁ POSSÍVEL?] A Escola de Doidos do Presidente Delfim Moreira

Por Wéverton Correia

Presidentes Delfim Moreira e Bolsonaro.
Foto: Reprodução.

A década de 10, do século XX, foi um período que viveu importantes acontecimentos históricos ao redor do Mundo, dentre os quais podemos destacar a passagem do Cometa Halley (1910), o naufrágio do Titanic (1912), o início da Primeira Grande Guerra (1914), a eclosão da Revolução Russa (1917), que daria início ao período da União Soviética (URSS), e no ano de 1918, a grande gripe de 18, conhecida como Gripe Espanhola (que ironicamente, teve seu primeiro caso nos States).

Gripe Espanhola. Foto: Brasil Escola/Reprodução.

O Brasil vivia o período da República do “Café com Leite”, com a alternância do poder entre São Paulo e Minas Gerais. Pouco mais de 20 anos antes, o país tinha deixado de ser uma Monarquia, para se tornar uma República Federativa (por meio de um golpe militar… Será uma sina, desde os primórdios do Brasil?!).

Em 1918, o ex-Presidente Rodrigues Alves, do Partido Republicano Paulista (PRP) que havia governado o país entre 1902 e 1906, voltaria a assumir o posto, para o qual foi reeleito, como Chefe do Executivo Nacional. Mas as doenças e o estado de saúde do político foram duríssimos consigo, de modo que ele foi acometido, pouco antes de tomar posse como Presidente, pela Gripe Espanhola (que assolou o mundo entre 1918 e 1920), que retirou-lhe o direito de ocupar novamente o Palácio do Catete, no Rio de Janeiro.

Presidente Rodrigues Alves.
Imagem: Arquivo Nacional/ Reprodução.

Após sua morte, assumiu interinamente em seu lugar, seu vice, o advogado e ex-Presidente do Estado de Minas Gerais, Delfim Moreira, do Partido Republicano Mineiro (PRM).

Moreira certamente foi um dos mais anômalos personagens (e qual não foi nesse período?) da história do Brasil e consequentemente da Política. Não tinha interesse algum em assumir a Presidência do Brasil, mas o fez, tornando-se um dos presidentes mais memoráveis entre os estudiosos da República, não pelos seus feitos, mas pela sua loucura.

Você deve estar se perguntando: – “Loucura, como assim?!” Pois é! O Presidente Delfim Moreira foi afetado durante o período em que foi Presidente, por uma doença que o incapacitava mentalmente. Os estudiosos afirmam que teria sido motivada pela arteriosclerose prematura ou por uma sífilis terciária, que teriam o acometido.

A verdade é que durante seu conturbado governo de apenas oito meses, além de enfrentar uma série de conflitos com trabalhadores, políticos e uma conjuntura internacional agitada, o Presidente também lutava contra a loucura e assinava documentos sem ler, espionava outros políticos por trás das portas do Palácio do Catete, ria de seus assessores durante reuniões, cogitou criar galinhas no palácio, dentre outras coisas inimagináveis para um Presidente.

Conta-se que o jurista Ruy Barbosa, indignado em relação a Delfim, teria deixado uma declaração que ficou para a história.

“O Brasil é mesmo um país muito estranho. Até um louco chega a Presidente e eu, são e no gozo de minhas faculdades mentais, não posso.”

Moreira saiu da Presidência após as eleições de 1919 e se tornaria mais uma vez, Vice-Presidente, quando o paraibano Epitácio Pessoa (escolhido pelos paulistas do PRP) venceu as eleições contra o baiano Ruy Barbosa.

Eleições de 1919, com Epitácio e Ruy. Foto: Biblioteca Nacional Digital/Reprodução.

Bem, coincidência ou não, estamos em 2021, 102 anos depois, vivendo um período também bastante agitado no cenário internacional, com a Guerra Comercial entre os EUA e a China, com uma pandemia mundial, do novo coronavírus (Covid-19) e com uma situação um pouco parecida com a da época da República Velha, com insatisfação dos trabalhadores, desemprego, fome e um governo tão insólito quanto o do Presidente Moreira.

Pandemia do Coronavírus no Brasil.
Foto: Getty Images/Reprodução.

Nesta quarta-feira (05), o Deputado Federal e Presidente da Frente Parlamentar Brasil-China, do Congresso Nacional, Fausto Pinato (Progressistas – SP), sugeriu em uma nota da Frente, que o atual presidente pode estar sofrendo de uma grave doença mental (causada pelo excesso de hidroxicloroquina, será?!) que segundo ele, “faz o presidente confundir realidade com ficção”.

A declaração de Pinato foi divulgada no Twitter após o Presidente ter feito uma suposição de que a China usou o vírus da Covid-19 como parte de uma arma química contra o Mundo, uma declaração inteiramente baseada em teorias conspiratórias e que fogem completamente do real. Inclusive, a declaração, pode gerar efeitos terríveis na relação sino-brasileira, principalmente, porque o gigante asiático é o parceiro comercial n° 01 do Brasil.

Tuíte de Fausto Pinato. Foto: Twitter/Reprodução.

Bom, não é o primeiro ato ou declaração estranha que o atual Presidente da República nos reservou durante os últimos tempos. Na verdade, seu governo é recheado de um misto de comédia e tragédia, que nos deixam boquiabertos, pensando que nunca mais veremos algo semelhante, e aí, ele vai lá e faz mais uma peripécia, que nos choca profundamente.

Desta vez, pelos “deficientes mentais” que estamos falando, vou ter que abrir uma exceção à regra de Suassuna, meu mestre e escritor favorito, acerca dos chamados por ele de “doidos”. Vou adaptar a frase do primo de Ariano, Saul, sobre os “doidos” que existiam em sua família, para trazê-la à realidade do Governo atualmente: “…quem não é doido junta pedra pra jogar no povo”.

Será possível que estamos vivendo mais um episódio de um governante “maluco” no Brasil? Porventura fez o Presidente Delfim Moreira, uma escola para doidos assumirem a Presidência da República e o atual mandatário teria se matriculado? Diante de tudo isto, deixo esta reflexão para você, leitor (a), enquanto repito as palavras do grande Barbosa: “O Brasil é mesmo um país muito estranho” e digo mais, muito louco! Tomara que toda esta loucura não nos leve para um abismo maior! Esta é a minha prece contra esse tipo de doido – que particularmente e diferente dos demais – não gosto!


PRESIDENTE DA SEMANA: Presidente da Semana – Ep. 9 – Delfim Moreira, doente e breve, e Epitácio Pessoa, o começo do fim. Entrevistado: Pedro Dória. Entrevistador: Rodrigo Viseu. Folha de São Paulo, 11 jun. 2018. Podcast. Disponível em: https://open.spotify.com/episode/2fR8N4O30GlNQl4hGTKpg4?si=a57AlAgORwSHdNQ3VRi5Cg&utm_source=copy-link. Acesso em: 06 mai. 2021.

TRINDADE, Sérgio. O Brasil já teve um Presidente louco. História nos detalhes, 2020. Disponível em: <http://historianosdetalhes.com.br/historia-do-brasil/o-brasil-ja-teve-um-presidente-louco/>. Acesso em: 06 mai. 2021.

[1° de Maio] Por que Dia do Trabalhador e não Dia do Trabalho?

Por Ângelo Emílio da Silva Pessoa.

Dia do trabalhador ou do trabalho? A batalha sobre os diferentes significados da data.

Frequentemente, os professores de História se defrontam com a necessidade de discutirem com seus alunos sobre os significados de determinadas datas selecionadas no calendário como comemorativas de determinado acontecimento, celebrizado pela memória popular ou pelas autoridades. Uma questão nada fácil é estabelecer um tipo de discussão sobre esses significados, que ultrapasse a mera louvação dos heróis da tradição ou que se esgote numa linguagem estéril e panfletária. Ambas acabam por adotar a mesma postura rasa e linear, que apenas inverte alguns sinais de quem são os mocinhos ou os bandidos, mas que não aprofunda e problematiza as questões que devem estar associadas a um ensino de História efetivamente crítico. A discussão dos significados de certas datas possibilita a problematização de questões que dizem respeito não apenas aos fatos rememorados em si, mas, principalmente, qual a relação que estabelecemos presentemente com essas questões, a partir dos desafios de nosso próprio tempo. No que diz respeito a uma dessas datas, há certa dúvida sobre sua denominação: afinal, 1° de Maio deve ser chamado de Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador? Esse questionamento é um bom ponto de partida para um professor de História discutir com seus alunos. A data de 1° de Maio está associada às lutas operárias do século XIX, que tiveram entre uma de suas grandes causas a jornada de 8 horas diárias de trabalho. Um dos grandes problemas que afligia os operários fabris era o das excessivas jornadas de trabalho sem qualquer proteção aos trabalhadores. Muitas fábricas contratavam mulheres e crianças para atividades estafantes, nas quais os acidentes de trabalho eram constantes e as mortes aconteciam com freqüência. Submetidos a brutais condições de trabalho, péssima moradia e alimentação, os trabalhadores buscavam se organizar para reivindicar direitos. As campanhas pela jornada de trabalho de 8 horas (8 horas de trabalho, 8 horas de descanso e 8 horas de lazer) se alastraram por vários países e provocaram importantes mobilizações de trabalhadores, apesar da intensa repressão que patrões e autoridades promoviam.

A luta pela jornada das oito horas gerou amplas mobilizações em diversos países em todo o mundo

No dia 1° de Maio de 1886, trabalhadores da cidade de Chicago (EUA) promoviam uma manifestação em favor da jornada de 8 horas, quando sofreram ataque da polícia, com saldo de vários mortos e feridos. Nos dias seguintes os protestos se repetiram, culminando com o massacre de Haymarket Square, no qual os trabalhadores foram acusados de atacar a polícia e sofreram brutal repressão e posterior perseguição.

Massacre em Chicago, que se tornou referência para as lutas de trabalhadores em vários países.

A data de 1° de Maio passou a ser adotada pelos movimentos operários como momento de luta contra a exploração do trabalho e o reconhecimento de direitos. Em vários países, a comemoração dessa data marcava um importante momento das lutas dos trabalhadores e de manifestação de suas reivindicações. Ao longo do século XX e início do XXI, no Brasil e em diversos países tivemos momentos de intensas lutas de trabalhadores pela busca de seus direitos, como a busca da proibição da exploração do trabalho infantil, a garantia da seguridade social, a melhoria salarial, entre diversas outras campanhas que mobilizaram gerações de trabalhadores nas cidades e no campo. As greves do ABC paulista, nos finais dos anos 1970, aparecem como um desses importantes momentos de luta, no qual os operários fabris desafiaram seus patrões e a repressão de uma ditadura militar que proibia essas manifestações. Elas marcaram lugar no conjunto das lutas sociais do Brasil nas últimas décadas.

As greves do final dos anos 1970 no ABC paulista foram momentos significativos de luta dos trabalhadores, que desafiaram os patrões e a ditadura militar.

Com o passar dos anos, em vez de simplesmente reprimir as manifestações dos trabalhadores – muito embora a repressão ainda seja prática comum –, as autoridades passaram a buscar o controle da data, tentando “domesticar” essas lutas numa homenagem ao trabalho e não aos trabalhadores. Daí decorre essa disputa em torno dos significados da data: para os movimentos de trabalhadores a data corresponde à manifestação de suas lutas, para as autoridades há a tentativa de restringir a data a uma condição oficial de celebração do trabalho. Em sociedades como a nossa, na qual a superexploração do trabalho é um traço constante, a disputa em torno desses significados do 1° de Maio ganha em atualidade. Certamente o trabalho, como atividade criadora humana, é uma dimensão importante da vida, mas o trabalhador preexiste ao trabalho, ele é que garante esse esforço de criação e recriação da vida e os resultados de seu esforço devem lhe retornar como usufruto dos bens que ele mesmo constrói.

O avanço das novas tecnologias, apesar das promessas de libertação do trabalho estafante, trouxe novas modalidades de superexploração, que afetam trabalhadores das áreas mais avançadas da economia.

Obs.: Texto escrito em 01 de maio de 2012 e retirado originalmente do blog Terras de História.

Sobre Ângelo Emílio

Ângelo Emílio da Silva Pessoa é Professor do Departamento de História da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

[HISTÓRIA] Orlando Gomes, um cidadão paraibano | Por Gabriela do Ó

Afinado com a Paraíba, terra de gente forte, “encourada” e insubmissa à impunidade. Em 1981, Orlando recebe o título de cidadão nosso e não podia ser diferente.

Hoje (15), dia que em que a Universidade Federal da Bahia (UFBA), a casa de muitos pensadores, completa 130 anos, saúdo um dos seus cátedras mais ilustres, o jurista Orlando Gomes.

De vida consagrada ao Direito, sua prática, magistério e estudo, autor de dezenas de obras, partiu há 33 anos deixando um legado doutrinário que se faz leitura obrigatória para o estudo jurídico no Brasil, nos campos do direito civil, direito do trabalho e ainda da sociologia jurídica.

Defensor ferrenho da democracia, experimentou na ilha de Fernando de Noronha a prisão por suas idéias marxistas, em pelo Estado Novo, no ano de 1937.

Foi diretor da Faculdade de Direito da Bahia (que hoje pertence à UFBA), membro da Academia de Letras da Bahia, fundador da Academia de Letras Jurídicas da Bahia e a grandeza de Orlando dá nome a sedes, praças, Avenida (em Salvador), escolas superiores do Direito e Fóruns.


Sobre Gabriela do Ó

Gabriela cursou Direito. Tem estudos em investimentos e negócios imobiliários. Uma das suas grandes paixões é o jornalismo. Atualmente é colaboradora do Portal Gabinete Paraíba.

[INOVAÇÃO] Estudantes criam jogos online onde é possível brincar e aprender História ao mesmo tempo

A iniciativa partiu dos estudantes da Unioeste, no Paraná. Os jogos são feitos com a possibilidade de mais de uma pessoa jogar.

Jogo desenvolvido pelos estudantes universitários. Foto: Reprodução.

Já pensou na possibilidade de aprender História brincando? Um grupo de estudantes do curso de graduação em História da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) não apenas pensou nessa ideia, como está desenvolvendo jogos interativos em plataformas do Google. Coordenados pela professora Cláudia Monteiro, os estudantes são vinculados ao Programa de Residência Pedagógica do curso de História. Durante o período de distanciamento social, essas ferramentas têm auxiliado professores e estudantes em suas práticas pedagógicas. Clique aqui para conhecer.

A criatividade do grupo levou jogos de quebra-cabeça, tabuleiro e cartas para computadores e celulares, todos com conteúdos de História. É possível que duas ou mais pessoas joguem simultaneamente, por meio das ferramentas Google Meet e Google Jamboard. Com imagens coloridas e didáticas, além da possibilidade de interação, esses recursos favorecem que os processos de ensino e aprendizagem sejam uma experiência coletiva e divertida, como afirma a coordenadora do grupo:

“O caráter lúdico e divertido do jogo é algo que tem muito potencial como metodologia de ensino. E na História há temas maravilhosos para serem trabalhados que por si só inspiram a imaginação e a narrativa. Então, por que não juntar essas duas coisas: o jogo e a História? Com a pandemia e a realidade difícil do ensino remoto, tivemos que pensar em alternativas que pudessem contribuir com as atividades de ensino nas escolas.”

Interação e distanciamento social
Foram desenvolvidos, por exemplo, quebra-cabeças, cuja finalização resulta em uma imagem que pode iniciar o debate ou sintetizar conteúdos abordados. Há também os jogos de carta e tabuleiro, organizados com perguntas e respostas que favorecem a revisão dos assuntos estudados. Conforme os jogadores acertam ou erram as questões, podem avançar ou retroceder no tabuleiro. Ao Café História, a coordenadora da Residência Pedagógica explicou:

“O Jamboard é um quadro-branco interativo em que todos podem mexer ao mesmo tempo, promovendo essa interação tão difícil no ensino-remoto. Funciona como um quebra-cabeça de papel normal, onde todos podem montar ao mesmo tempo. Foram aplicados nas escolas e como funcionaram ‒ os professores e os alunos gostaram ‒ resolvemos fazer mais. Os jogos de tabuleiro e cartas estão em um formato que permite ao professor trabalhar o conteúdo de uma maneira mais aprofundada, já que as cartas vão narrando cada tema. Elaboramos, por exemplo, o jogo Terra à Vista, sobre as navegações portuguesas e as condições de vida da tripulação. Já o Rotas do Deserto narra um pouco do cotidiano das viagens das caravanas de camelos no Saara e a importância dessas rotas para a expansão do Islã na África e para o desenvolvimento dos grandes reinos do Sahel.”

Facilidade no acesso
Acha que vai ser difícil manusear essas ferramentas? Para utilizá-las basta possuir uma conta de e-mail do Google. Com o objetivo de facilitar o acesso, o grupo elaborou um vídeo tutorial em que explicam o passo a passo de como se guiar na plataforma Google Jamboard. Todos os jogos estão disponíveis para download no site da Residência Pedagógica em História da Unioeste e são acompanhados de instruções. Há também a possibilidade de baixar suas versões impressas.

Os jogos abrangem conteúdos do sexto ao nono ano do ensino fundamental. Apesar de o objetivo de seus desenvolvedores estar voltado às aulas-remotas, podem ser utilizados por todas as pessoas interessadas nas temáticas abordadas. Basta convidar a turma e dar início às descobertas. Que tal experimentar aprender e brincar ao mesmo tempo?

Fonte: Café com História

[CULTURA] UNESCO disponibiliza 08 livros em PDF sobre História do Continente Africano

A Unesco resolveu disponibilizar gratuitamente a coleção ‘História Geral da África’.

Coleção de Livros sobre História da África.
Foto: Reprodução.

O Brasil é o país que detém a maior população negra fora da África, com quase 86 milhões de residentes de origens africanas. No entanto, pouco aprendemos na escola sobre a história deste continente tão rico. Costuma-se priorizar nos ensino tradicional um ponto de vista eurocêntrico, repleto de preconceitos e subentendidos.

Do conhecimento sobre a história e a cultura do seu povo depende o fortalecimento da identidade de um indivíduo. Sabendo disso, a Unesco resolveu publicar, em oito volumes, a coleção ‘História Geral da África’. As publicações, disponíveis em PDF e traduzidas para o português, partem da pré-história africana, passam pela África antiga e chegam aos tempos atuais.

De acordo com uma publicação feita pelo site da Unesco, a coleção permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente.

A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.

A versão em português está disponível para download no site da Unesco.

Fonte: Conti outra

Poeta Caririzeiro lança livro contando história dos Judeus em Cabaceiras

Poeta conta com detalhes a história dos judeus no Cariri e sua influência na cidade de Cabaceiras.

Capa do Livro “Os Judeus na História de Cabaceiras”. Foto: Arquivo Pessoal do Autor.

Que Cabaceiras é a “Roliúde Nordestina”, todo mundo já sabe. É também a Terra do Bode e isso é incontestável! Mas o que maioria das pessoas ainda não sabem, é que a cidade do Lajedo de Pai Mateus é também uma extensão de Israel no Semiárido Paraibano.

O poeta, músico e contador de histórias, José Sidney Nunes de Araújo, lançou no fim de dezembro de 2020, na XVI Cabaceiras Mostra Cultura, o Livro “Os Judeus na História de Cabaceiras”.

Poeta José Sidney tocando Pífano. Foto: Arquivo Pessoal.

De acordo com o autor, a presença do povo judeu na região ainda é muito marcante e tem influência direta na história, na vida e cotidiano do povo cabaceirense (ou seria israelense?!).

“Cabaceiras tem uma linda história. Nela cada coisa no tempo aconteceu. Avanços muitos, em diversas áreas. De tudo por aqui, imagine, já ocorreu. Agora tem algo que também nos condiz. E hoje estou muito, muito feliz, porque somos descendentes de judeu.”

Além deste livro, o poeta ainda tem publicada uma Antologia Poética. Para os interessados em adquirir o livro “Os Judeus na História de Cabaceiras”, o autor deixou disponível as suas redes sociais como o Instagram: @sidneynunes e o seu WhatsApp: (83) 98805-2913.

Paraíba como um novo Israel?

Em toda a história do país, a presença dos judeus é muito marcante. Os chamados cristãos-novos ou judeus marranos, estabeleceram-se no Nordeste do Brasil e aqui construíram uma nova vida.

Embora saibamos bem pouco acerca de nossos antepassados e de nossa genealogia, acredita-se que muitos brasileiros e brasileiras descendem desses judeus sefarditas ou cristãos-novos, que com a crescente perseguição religiosa católica na Península Ibérica, por volta do Séc. XVI, transferiram-se para o Brasil Colônia.

Monumento em homenagem às vítimas judaicas da perseguição no Massacre de Lisboa (1506). Foto: Lovely Libonner.

Segundo a historiadora e maior especialista em Judaísmo no Brasil, Anita Novinsky, o Nordeste tem uma grande influência judaica em sua história e a Paraíba foi o lugar no país que mais recebeu judeus sefarditas, que se fixaram principalmente na região do Seridó Paraibano e praticavam o cripto-judaísmo.

Saiba mais no link abaixo, da Reportagem do programa Domingo Espetacular, da TV Record:

https://youtu.be/jkDPgMYnk_k

Redação Gabinete Paraíba